Na manhã de segunda-feira, o Ibovespa registrou alta de cerca de 8% após a nomeação de Flávio Bolsonaro para liderar a pasta econômica ao lado de Lula. O movimento foi alimentado por uma combinação de fatores: o dólar spot recuou de R$ 5,21 para R$ 4,98, os juros de longo prazo perderam 100 bps e os investidores revisaram suas expectativas de política fiscal.
Com a promessa de um retorno a “sanidade fiscal”, os agentes de mercado desencadearam uma onda de reprecificação nos ativos mais sensíveis a juros e dívida. O cenário imediato gerou picos de valorização em ações de companhias listadas, sobretudo nas que carregam alto endividamento ou que dependem de custos de financiamento mais baixos.
Reação imediata nos principais indicadores
O recuo do dólar spot foi o primeiro sinal visível da mudança de postura dos investidores. A cotação caiu para R$ 4,98 na abertura, sinalizando confiança de que a política cambial poderá ficar menos volátil. Simultaneamente, os juro longo (títulos do Tesouro de 10 anos) fecharam 100 bps abaixo, refletindo a expectativa de que a nova equipe econômica vai reduzir a pressão inflacionária.
Na bolsa, a B3 aumentou o limite máximo de alta do contrato futuro do Ibovespa de 10 % para 13 % – um ajuste que, segundo gestores, funciona como um “recado subliminar” ao mercado. O mesmo procedimento foi adotado para o limite de oscilação dos juros futuros, indicando a intenção de acomodar movimentos mais amplos sem disparar mecanismos de interrupção.
Desempenho dos papéis mais impactados
Alguns dos maiores vencedores do dia foram empresas que se beneficiam da queda dos juros ou que carregam dívidas elevadas. Magazine Luiza disparou 25 %, enquanto Cosan avançou 21 % e a XP Inc. subiu 25 %. O setor imobiliário também reagiu: Cyrela Brazil Realty ganhou 22 % e Movida subiu 23 % ao se antecipar à desmontagem de posições curtas.
Outros papéis citados pelos gestores incluem Banco do BrasilBTG PactualLocalizaLojas RennerRD (Randon), Vivara e, em um contexto de fluxo externo, Petrobras e Itaú Unibanco. Muitos gestores declararam que, diante da possibilidade de um regime fiscal menos intervencionista, a lógica de compra-venda ficou muito mais clara.
Estratégias de gestores e projeções dos analistas
Os fundos de investimento já vinham acompanhando a ascensão de Flávio Bolsonaro nas pesquisas, mas mantinham posições cautelosas até a confirmação oficial. Agora, a maioria está ajustando exposição através de estruturas de opções no índice futuro, permitindo ganhos até determinados patamares sem assumir risco ilimitado.
Um gestor explicou: “Vendo os futuros eu preciso comprar mais para manter a exposição. O desafio é encontrar preço justo; não dá para pagar qualquer valor.” Em outro caso, o operador afirmou que, se Itaú e B3 subirem no mesmo ritmo, prefere vender Itaú e comprar B3, mas se B3 e XP subirem paralelamente, opta por adquirir ambas.
O Morgan Stanley revisou suas projeções para o índice, elevando o cenário-base para 215 mil pontos e chegando a 250 mil pontos caso a probabilidade de mudança na política econômica se consolide. No mesmo relatório, o banco apontou o setor financeiro como o melhor em termos de risco-retorno, destacando XPBTGB3 e Nubank como favoritos.
Quanto à taxa de câmbio, a mesma consultoria estima que o dólar possa alcançar R$ 4,50 no primeiro semestre de 2027, refletindo a expectativa de estabilização fiscal e redução de pressões inflacionárias.
Em evento realizado na manhã, o CEO da BR Partners Ricardo Lacerda, salientou que o país precisa de esforços coordenados para “sair do buraco” deixado pelos últimos quatro anos de política. Ele reforçou que a queda de juros será o motor principal da reprecificação de ativos, embora reconheça a complexidade do cenário.
Já o presidente da IRB Marcos Falcão, adotou tom mais cauteloso, alertando que a euforia dos mercados pode ser passageira e que os próximos passos dependerão de reformas estruturais efetivas.



