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27 setembro 2026

Pesquisa indica disputa apertada entre Lula e Flávio Bolsonaro

Lula lidera as pesquisas, mas Flávio Bolsonaro ainda está a poucos pontos de virar a corrida.

Pesquisa indica disputa apertada entre Lula e Flávio Bolsonaro

À medida que o calendário eleitoral se aproxima do dia 4 de outubro, os números divulgados pelos institutos de pesquisa revelam um cenário de expectativa intensa. Os dados de DatafolhaQuaest e Meio/Ideia colocam o presidente Luiz Inácio Lula da Silva à frente no primeiro turno, porém com margens que permitem um empate técnico com o candidato Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente. A competitividade desses indicadores tem alimentado discussões sobre a viabilidade de uma vitória direta no primeiro turno e sobre a possibilidade de um segundo turno marcado por disputa apertada.

Resultados detalhados das últimas pesquisas

Na pesquisa estimulada da Datafolha divulgada em 24 de setembro, Lula aparece com 40% das intenções de voto, enquanto Flávio Bolsonaro alcança 36%. A margem de erro de dois pontos coloca os dois candidatos dentro de um empate técnico. Quando a lista de candidatos não é apresentada – modalidade espontânea – Lula tem 36% e Flávio 27%, evidenciando a diferença entre reconhecimento de nome e preferência efetiva. Outros concorrentes como Augusto Cury (Avante), Ronaldo Caiado (PSD) e Renan Santos (Missão) permanecem com apoio marginal, variando entre 1% e 5% nos diferentes levantamentos.

Já a pesquisa da Quaest publicada em 21 de setembro, aponta Lula com 37% e Flávio Bolsonaro com 33% na versão estimulada, novamente dentro do limite de erro para um empate técnico. Na situação espontânea, os números caem para 31% e 26%, respectivamente, reforçando a importância das opções apresentadas ao eleitor. Os cenários simulados para o segundo turno mostram variações sutis: em alguns testes Lula lidera com 47% contra 45% de Flávio, enquanto em outros o candidato do PL registra 42% frente a 41% do petista, com um percentual relevante de eleitores indecisos ou em branco.

O instituto Meio/Ideia por sua vez, divulgou em 9 de setembro um primeiro turno com Lula em 38,4% e Flávio Bolsonaro em 37,3%, quase coincidindo nos resultados. No segundo turno, a pesquisa indica um empate numérico de 46% para cada um, demonstrando que a disputa se mantém extremamente equilibrada, independentemente da metodologia empregada. Todos os levantamentos apontam que votos em branco, nulos ou a abstenção giram em torno de 5% a 7%, fator que pode diminuir a quantidade de votos válidos necessários para alcançar a maioria absoluta.

Mercado financeiro e a percepção de uma eleição histórica

Analistas do mercado de capitais, especialmente em São Paulo, têm destacado que a eleição de 2026 pode ser a mais competitiva desde 1989. A lógica predominante entre investidores é que o candidato que estiver à frente na apuração do primeiro turno provavelmente será o vencedor, pois as margens observadas sugerem que a mudança de posições nas urnas será mínima. Essa visão se traduz em projeções que estimam uma diferença de apenas um ponto percentual entre os dois principais concorrentes, o que reduz a probabilidade de uma virada inesperada nas urnas.

Além da disputa eleitoral, o cenário econômico também tem sido analisado. Estudos como o “Saneamento Básico: Investimento para Transformar o Brasil”, elaborado pelo Itaú BBA e Inter.B Consultoria, estimam que R$ 1,2 trilhão são necessários para universalizar água tratada e esgotamento sanitário, indicando que o futuro presidente herdará desafios de infraestrutura significativos. A expectativa de que o vencedor será quem conseguir mobilizar maior apoio no primeiro turno tem levado investidores a ajustar posições em setores sensíveis, como energia, infraestrutura e tecnologia, especialmente com a crescente influência da inteligência artificial nos processos de decisão de consumo, conforme apontado por pesquisas de comportamento de compra.

Probabilidade de vitória no primeiro turno e seu impacto

Para que um candidato assegure a vitória já no primeiro turno, é preciso ultrapassar 50% dos votos válidos excluindo brancos, nulos e abstenções. Com a taxa de comparecimento historicamente elevada nas urnas brasileiras, a presença de votos em branco e nulos pode reduzir o número total necessário para atingir a maioria. Ainda assim, analistas como a cientista política Maria Almeida (FGV) alertam que a decisão final depende da migração de eleitores indecisos e da capacidade das campanhas de mobilizar suas bases nas últimas 48 horas antes da votação.

Em entrevista recente, o diretor de Inteligência da Quaest, Guilherme Russo, avaliou que ainda é “muito improvável” que a corrida seja decidida no primeiro turno, dado que nenhum candidato chegou perto dos 50% necessários. Ele destaca que Flávio Bolsonaro precisaria retirar uma parcela substancial dos votos de demais candidatos da direita para alcançar esse patamar, algo que ainda não se concretizou nos últimos levantamentos. A última rodada de debates e a estratégia de mobilização nos dias que antecedem 4 de outubro são, portanto, consideradas cruciais para definir se a disputa avançará para um segundo turno em 25 de outubro.