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24 outubro 2026

Emendas parlamentares garantirão tarifa zero nos fins de semana

PEC determina que parte das emendas cubra tarifa zero nos fins de semana, preservando recursos de saúde

Emendas parlamentares garantirão tarifa zero nos fins de semana

A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que institui a tarifa zero para o transporte coletivo urbano nos sábados, domingos e feriados chegou ao Congresso na última quinta-feira, 22 de outubro. O texto estabelece que, no mínimo, 26,8% do total anual das emendas parlamentares de execução obrigatória deverão ser direcionados ao custeio da gratuidade, sem retirar recursos previamente vinculados à saúde.

Segundo o governo, a medida seria financiada exclusivamente por emendas impositivas, ou seja, recursos que o Legislativo já tem a obrigação de destinar ao orçamento federal. O cálculo indica que o percentual mencionado representaria cerca de R$ 13 bilhões em 2027, valor considerado compatível com o equilíbrio fiscal e que não provocaria aumento da despesa primária nem afetaria a meta do resultado primário.

Destinação das emendas e fluxo de recursos

O documento preconiza que o Executivo federal repasse os recursos diretamente aos municípios e às regiões metropolitanas responsáveis pela operação dos serviços de transporte público coletivo urbano. A transferência será obrigatória para os entes federativos que detêm a titularidade da prestação do serviço, garantindo que o dinheiro chegue onde o beneficiário final – o passageiro – está localizado.

Além disso, a PEC assegura que a parcela de emendas já reservada para a saúde seja mantida intacta. No Projeto de Lei Orçamentária Anual de 2027, as emendas individuais e de bancada somam R$ 44,8 bilhões; desses, cerca de R$ 14 bilhões são destinados obrigatoriamente à saúde. Assim, restariam aproximadamente R$ 30 bilhões disponíveis para eventual alocação à tarifa zero, dos quais o percentual exato ainda será negociado com o Legislativo.

Impactos financeiros e políticos da proposta

Do ponto de vista fiscal, a iniciativa não cria novas despesas, mas redistribui recursos já previstos. O governo argumenta que tal redistribuição é compatível com o marco fiscal e que a medida pode ser implementada sem necessidade de aumento de arrecadação ou de endividamento. Por outro lado, a proposta ganha destaque no contexto da campanha eleitoral, sendo divulgada como um dos principais diferenciais do presidente Luiz Inácio Lula da Silva frente ao adversário Flávio Bolsonaro.

O presidente declarou que a tarifa zero tem o objetivo de facilitar o acesso da população ao lazer, à cultura e aos serviços públicos nos dias de descanso. Em entrevista ao SBT News, Lula enfatizou que a medida beneficia quem acorda às 4h30 para trabalhar e gasta parte considerável do salário com o transporte diário. A proposta também está alinhada à PEC 221/2019, recentemente aprovada pelo Senado, que estipula a redução da jornada de trabalho e garante dois dias de descanso remunerado para os trabalhadores sob o regime da CLT.

Politicamente, a PEC foi apresentada como parte de um conjunto de ações de apelo eleitoral nas últimas semanas de campanha. O governo ainda pretende detalhar as regras operacionais da tarifa zero por meio de medida provisória após o período eleitoral, já que a Constituição impede a criação de novos benefícios durante a campanha. Enquanto isso, o texto constitucional em tramitação serve como base para a futura implementação.

Critérios de elegibilidade e mecanismos de fiscalização ainda não foram divulgados, mas o governo afirmou que a transparência será garantida por meio de relatórios mensais ao Congresso, permitindo o acompanhamento dos repasses e da efetiva prestação do serviço gratuito.

Em resposta à iniciativa, Flávio Bolsonaro, candidato do PL, acusou o governo de prometer “ônibus de graça” sem ter condições de cumprir. A crítica reforça a polarização em torno do tema, que se tornou ponto de debate sobre prioridades de gastos públicos e estratégias eleitorais.