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14 outubro 2026

Senado se prepara para votação única da PEC 6×1 com apoio de Flávio

Flávio Bolsonaro vira o jogo e apoia a PEC 6x1; Senado tenta acelerar votação e opositores tramam adiamento.

Senado se prepara para votação única da PEC 6x1 com apoio de Flávio

Nos últimos dias que antecedem a escolha do próximo presidente, o candidato do PL Flávio Bolsonaro alterou publicamente sua postura sobre a PEC que elimina a escala 6×1. Em entrevista após visitar o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, o jovem senador afirmou que seu voto seguirá a maioria dos trabalhadores que desejam o fim da jornada de seis dias seguidos por um dia de folga.

Ao mesmo tempo, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, saiu ao público afirmando que já dispõe das assinaturas necessárias para abrir um requerimento de calendário especial. Caso seja aprovado, o plenário poderá conduzir as duas votações da proposta – primeiro e segundo turno – no mesmo dia, o que poderia acontecer ainda nesta quarta-feira.

Mudança de posição de Flávio Bolsonaro

Desde o início da campanha eleitoral, Flávio Bolsonaro rotulava a iniciativa do governo como “oportunista” e defendia um modelo de jornada flexível, baseado no pagamento por hora trabalhada. Contudo, na terça-feira ele declarou que “a maioria dos trabalhadores quer o fim da escala 6×1” e, por isso, seu voto será favorável. O candidato ainda ressaltou que a proposta atual não contempla situações como o home office ou mães que precisam reduzir a carga horária, e sugeriu que a medida seja vista como um passo evolutivo.

Ele também apontou que a redução da jornada pode gerar necessidade de novas contratações, elevando custos para as empresas. Segundo Flávio, o governo Lula deveria arcar com compensações financeiras para evitar desemprego e a migração para a informalidade.

Calendário especial e expectativa de votação única

O pedido de calendário especial, apresentado pela senadora Teresa Leitão (líder do governo), elimina o intervalo de cinco dias úteis que a Constituição exige entre os dois turnos de votação de uma PEC. Com 54 assinaturas garantidas, Alcolumbre afirma que o Senado está pronto para analisar o requerimento ainda hoje e, se aceito, conduzir a votação em duas fases no mesmo dia – quarta-feira, 14 de outubro.

A estratégia do executivo busca garantir a aprovação da medida antes do segundo turno das eleições, acreditando que o êxito possa influenciar o eleitorado a favor da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Estratégias da oposição para postergar a PEC

Já o bloco opositor, liderado por Wellington Fagundes (PL-MT), tem articulado esforços para impedir a formação de quórum nas sessões de plenário, dificultando a progressão da votação. Uma das táticas discutidas nos bastidores consiste em propor alterações no texto que forcem a sua devolução à Câmara dos Deputados, adiantando assim o prazo para depois das urnas.

Aliados de Flávio Bolsonaro defendem a proposta elaborada pelo senador Rogério Marinho, que inclui pagamento por hora, mas reconhecem que um voto em branco contra a PEC poderia prejudicar a campanha na reta final. Por isso, pressionam Alcolumbre a seguir rigorosamente o rito regimentar, evitando acelerações que favoreçam o governo.

Com a contagem regressiva para o primeiro turno da eleição, o cenário no Senado evidencia um embate entre a urgência do Executivo e a cautela da oposição, enquanto o candidato que antes criticava a medida agora se posiciona ao lado da maioria trabalhista que clama por jornadas mais curtas.