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24 setembro 2026

Foco em inflação e diversificação internacional, recomenda UBS

UBS aponta inflação e ativos globais como os dois pilares para blindar sua carteira antes da votação.

Foco em inflação e diversificação internacional, recomenda UBS

Com a corrida presidencial entrando na fase final, o cenário econômico brasileiro se tornou palco de duas grandes incógnitas: a possibilidade de um novo risco fiscal e a volatilidade típica de um período eleitoral. Para quem acompanha o mercado, o momento exige decisões rápidas e, ao mesmo tempo, prudentes. Foi nesse contexto que o braço de gestão de fortunas do UBS lançou um relatório apontando que é hora de escolher onde concentrar proteção e retorno.

Risco fiscal e incerteza política: o pano de fundo

A dívida pública ultrapassa 82,5% do PIB e o déficit nominal acumulado nos últimos 12 meses chegou a 9,3% do PIB. Entre janeiro e julho, as despesas federais avançaram mais que as receitas, mesmo com um bom desempenho da arrecadação. Além disso, o governo anunciou um reajuste de 15% no Bolsa Família que deve custar cerca de R$ 22 bilhões em 2027. A combinação desses fatores coloca pressão sobre as contas públicas e alimenta a percepção de prêmio fiscal embutido nos preços dos ativos.

Títulos indexados à inflação como pilar de proteção

O UBS elevou a classificação dos títulos atrelados à inflação a “muito atrativos”. Segundo a análise, os juros reais desses papéis permanecem elevados em relação à média histórica, oferecendo uma compensação significativa contra a erosão do poder de compra. Mais importante ainda, esses ativos funcionam como um seguro caso a incerteza fiscal mantenha as expectativas de inflação em patamares altos. Por isso, o banco recomenda que esses títulos componham a âncora das carteiras de longo prazo, especialmente para investidores que buscam resiliência frente a um cenário de Selic potencialmente elevado.

Internacionalização: diversificação como ferramenta de resiliência

Ao mesmo tempo, o relatório coloca a diversificação internacional no mesmo nível de atratividade. A conjunção de risco fiscal, volatilidade eleitoral e prêmios de risco ainda elevados no mercado doméstico justifica uma exposição relevante a ações globais e a renda fixa internacional de alta qualidade. A UBS projeta a continuidade da alta das bolsas mundiais nos próximos seis a doze meses e identifica oportunidades em títulos de grau de investimento com prazos intermediários. Essa estratégia, segundo o banco, é uma das maneiras mais eficazes de melhorar a resiliência da carteira dos investidores brasileiros.

Outras classes de ativos: neutralidade e cautela

O relatório ainda apresenta avaliação “neutra” para títulos prefixadospós-fixadosações brasileirasfundos imobiliários e ativos alternativos. Embora o Corte da Selic para 13,75% ao ano torne os prefixados atrativos, o Copom tem adotado comunicação cautelosa, indicando que um ciclo agressivo de reduções ainda não está assegurado. Incertezas cambiais e a persistência das expectativas inflacionárias podem impedir que a taxa terminal da Selic caia de forma significativa. Já os pós-fixados mantêm remuneração competitiva, mas perdem parte da vantagem à medida que a taxa Selic recua, servindo principalmente como instrumentos de liquidez. Entre commodities, o UBS favorece o cobre enquanto considera a prata menos atraente.

Perspectivas para o mercado de capitais

No mercado acionário, a recomendação permanece neutra. As ações brasileiras apresentam avaliações historicamente baixas quando comparadas a outros mercados, mas os juros reais elevados, o risco fiscal e a volatilidade da eleição limitam o potencial de alta mais expressivo. Setores ligados a commodities ocupam posição relativamente melhor, refletindo a expectativa de que a demanda global continue sustentando preços. Quanto ao câmbio, o UBS prevê uma depreciação gradual do real sem grandes correções desordenadas, enquanto o cenário eleitoral e fiscal continuarão a gerar volatilidade tanto para a moeda quanto para a curva de juros.