O Banco do Brasil (BBAS3) está prestes a divulgar seus resultados do segundo trimestre de 2026, com expectativas de mais um período desafiador. A instituição, maior financiadora do agronegócio no país, enfrenta pressões significativas devido à deterioração da carteira de crédito rural, o que tem mantido os analistas em alerta.
A divulgação dos resultados está marcada para a próxima quarta-feira (12), após o fechamento do mercado. Nesta terça-feira (11), as ações do BBAS3 caíram 3%, refletindo o mau humor do mercado. Em agosto, o banco já acumula uma queda de 8% nas ações, indicando que o mercado já começou a precificar um resultado mais fraco.
Perspectivas para o segundo trimestre de 2026
O Bank of America (BofA) projeta um lucro líquido de cerca de R$ 3,6 bilhões para o segundo trimestre de 2026, uma queda de 3% na comparação anual. Esse resultado representa uma retração de 7% em relação ao primeiro trimestre. Apesar da queda relativamente moderada no lucro, o BofA espera que o resultado antes de impostos fique abaixo das estimativas, principalmente devido a despesas com provisões maiores do que o esperado.
O crescimento da carteira de crédito também deve permanecer em um dígito baixo, refletindo a fraca concessão de empréstimos no segmento rural e a desaceleração do consumo. A expectativa é que a perda de fôlego da instituição não provoque uma reação tão forte nas ações, justamente porque o movimento já era previsto por boa parte dos investidores.
Impacto da Medida Provisória 1.376/2026
A Medida Provisória 1.376/2026 que prevê a renegociação de dívidas rurais, pode funcionar como um importante ponto de alívio para o Banco do Brasil. A medida permite o alongamento e a reorganização de dívidas rurais, beneficiando especialmente o BB devido à sua elevada exposição ao financiamento do campo.
Para os produtores, a renegociação dá mais tempo para reorganizar as contas e recuperar a capacidade de pagamento. Para o banco, porém, os efeitos positivos não devem aparecer imediatamente nos balanços. A melhora da inadimplência e das provisões tende a ocorrer de forma gradual, já que uma dívida renegociada precisa apresentar um histórico de pagamentos em dia antes de voltar a ser considerada plenamente saudável.
Análise de especialistas
Octaciano Neto, fundador da Zera, afirma que o Banco do Brasil contribuiu para o agravamento da situação ao adotar uma postura mais seletiva na concessão de crédito ao agronegócio. “O Banco do Brasil é o maior financiador do agronegócio no país. Quando ele fecha a torneira ou aperta as regras, o impacto é sentido na economia inteira”, destaca Neto.
Neto acredita que o pior momento pode ter passado, mas a recuperação não será rápida. “Minha leitura é que o pior pode ter passado, mas a recuperação não será rápida”, diz. Isso porque as margens de culturas como soja e milho continuam pressionadas, limitando a capacidade de pagamento dos produtores.
Cenário do agronegócio e perspectivas futuras
O cenário do agronegócio continua sendo um dos principais obstáculos para o Banco do Brasil. Desde 2026, a instituição enfrenta uma deterioração da inadimplência no setor rural, que segue pressionando os indicadores de qualidade da carteira. Dados mais recentes da Serasa mostram que a inadimplência da população rural chegou a 8,8% no primeiro trimestre de 2026, alta de 1,2 ponto percentual em relação ao mesmo período do ano anterior.
O Goldman Sachs também espera pressão sobre os resultados, com despesas operacionais elevadas na comparação trimestral. O banco projeta um lucro líquido de R$ 3,5 bilhões para o trimestre, queda de 6% em relação ao mesmo período de 2026. O retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) deve ficar em 8,4%, recuo de 1,06 ponto percentual na comparação anual.
O JPMorgan também estima um lucro de R$ 3,5 bilhões, queda anual de 6%, enquanto o consenso compilado pela Bloomberg aponta para um lucro de R$ 3,1 bilhões. O BTG Pactual avalia que a medida pode funcionar como uma “ponte para uma recuperação gradual”, embora seus efeitos ainda não devam ser relevantes no segundo trimestre.
Para o segundo trimestre, o BTG espera que as despesas com provisões permaneçam em níveis semelhantes aos registrados no primeiro trimestre, enquanto as perdas de crédito devem caminhar para o teto do guidance divulgado pelo banco. Um alívio mais significativo na demonstração de resultados deve começar a aparecer somente a partir do quarto trimestre de 2026.



