A partir desta terça-feira, 11 de agosto de 2026, uma missão técnica da Coreia do Sul está no Brasil para avaliar os frigoríficos brasileiros e o controle sanitário do país. Essa visita é um passo crucial para a possível abertura do mercado sul-coreano à carne bovina brasileira, um objetivo perseguido desde 2008.
A missão, que se estenderá até 20 de agosto, é resultado do encontro entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente sul-coreano Lee Jae-myung ocorrido em 27 de julho de 2026. Durante essa reunião, os dois países criaram um grupo de trabalho para destravar as negociações do acordo comercial entre o Mercosul e a Coreia do Sul.
O que a missão técnica vai avaliar
A visita técnica faz parte da análise de risco conduzida pelas autoridades sul-coreanas antes de qualquer decisão sobre a liberação da entrada do produto brasileiro no país asiático. As atividades incluem:
- Visitar estabelecimentos brasileiros que processam carne bovina;
- Avaliar a fiscalização sanitária aplicada pelo governo brasileiro;
- Coletar informações técnicas que embasarão a análise de risco da Coreia do Sul.
O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) ressalta que as visitas aos frigoríficos não representam, por si só, a habilitação desses estabelecimentos para exportar. Após a missão, o próximo passo será negociar o Certificado Sanitário Internacional (CSI) entre os dois países, documento que reúne os requisitos sanitários exigidos pela Coreia do Sul.
O contexto das negociações
O Brasil conquistou em 2026 o status de “livre de febre aftosa sem vacinação” um requisito essencial para a Coreia do Sul. Essa conquista é vista como um avanço significativo nas negociações, que vêm sendo realizadas desde 2008. A abertura do mercado sul-coreano é considerada especialmente relevante porque o país consome cortes nobres e produtos de alto valor agregado, o que pode impulsionar significativamente as exportações brasileiras.
O interesse comercial entre os dois países é considerável. Em 2026, o comércio bilateral somou cerca de US$ 11 bilhões e o Brasil exportou quase US$ 2,5 bilhões em produtos do agronegócio para a Coreia do Sul. A aproximação com a Coreia do Sul integra a estratégia mais ampla do governo Lula de diversificar os destinos das exportações brasileiras, especialmente diante das pressões comerciais dos Estados Unidos que dominam 70% do mercado coreano de carne bovina.
O impacto no mercado interno
No mercado interno, o fim das cotas chinesas já produziu efeitos perceptíveis nos preços. Em junho de 2026, o valor da carne bovina recuou no Brasil, com a alcatra por exemplo, ficando mais de 1% mais barata do que em maio. No entanto, analistas avaliam que essa tendência é temporária. “Com certeza, os frigoríficos vão ajustar a escala de abates e a gente vai ver uma normalidade de preços no segundo semestre”, concluiu a analista Fernanda Pressinot.
A abertura do mercado sul-coreano para a carne bovina brasileira representa uma oportunidade significativa para o agronegócio brasileiro, reforçando a importância das parcerias internacionais e da qualidade sanitária dos produtos brasileiros.



