O turismo brasileiro está diante de um novo desafio: a necessidade de se adaptar a eventos climáticos extremos cada vez mais frequentes. Com a previsão de um Super El Niño para os próximos meses, o setor precisa acelerar sua agenda de gestão preventiva de riscos climáticos.
A Braztoa entidade representativa do turismo, alerta que destinos, empresas e profissionais do setor devem transformar informações antecipadas sobre o clima em decisões estratégicas. Isso inclui a criação de protocolos de resposta o fortalecimento da comunicação com viajantes e o aumento da capacidade de adaptação.
O impacto do Super El Niño no turismo
O fenômeno El Niño está de volta ao noticiário, mas desta vez com um adjetivo que desperta ainda mais atenção: super. Segundo a National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA) há cerca de 81% de probabilidade de um El Niño alcançar patamares críticos entre outubro e dezembro de 2026, além de 97% de chance de seus efeitos se estenderem até o primeiro trimestre de 2027.
Esse cenário não deve ser visto apenas como uma notícia sobre o clima, mas como um alerta para o setor de turismo. O turismo é uma das atividades econômicas que mais dependem das condições climáticas, e a intensificação do El Niño pode impactar destinos, empresas, viajantes e toda a cadeia produtiva do setor.
Eventos climáticos extremos no Brasil e no mundo
O Brasil já vem experimentando eventos climáticos extremos nos últimos anos, como as enchentes históricas no Rio Grande do Sul os incêndios no Pantanal as secas severas na Amazônia e as ondas de calor recordes em diversas regiões. No cenário internacional, incêndios florestais no Mediterrâneo, ondas de calor na Europa, enchentes na Ásia e furacões no Caribe e na América do Norte também têm afetado o turismo.
Esses eventos têm alterado operações, comprometido infraestruturas, afetado a experiência do viajante e gerado impactos econômicos significativos. O turismo precisa se preparar para uma realidade de eventos climáticos extremos que já está entre nós.
Estratégias para a gestão preventiva de riscos climáticos
As previsões climáticas não devem ser vistas apenas como informações técnicas. Elas representam uma necessidade e uma oportunidade para que o turismo incorpore, de forma estratégica, a gestão de riscos em seus processos de planejamento e tomada de decisão.
Diferentemente de muitas crises inesperadas, fenômenos como o El Niño podem ser monitorados com antecedência. Isso Significa que, além de reagir, o setor pode se preparar. A gestão preventiva de riscos climáticos ganha protagonismo, exigindo uma mudança importante de perspectiva.
Na agenda da sustentabilidade, o turismo brasileiro tem avançado em temas como redução de impactos ambientais, conservação e descarbonização, boas práticas ESG. No entanto, ainda se fala pouco sobre adaptaçãoresiliência e preparação para eventos extremos. Essas agendas precisam caminhar juntas.
Sustentabilidade também significa garantir que empresas, destinos e comunidades tenham capacidade de enfrentar, responder e se recuperar de eventos que já fazem parte da nova realidade climática. O clima deixou de ser apenas um componente da viagem e deve ser assumido como uma variável estratégica.



