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10 julho 2026

Isenção de impostos para carros elétricos importados: impacto no mercado brasileiro

A isenção temporária de impostos para carros elétricos importados no Brasil está reacendendo o debate sobre concorrência e proteção à indústria local.

Isenção de impostos para carros elétricos importados: impacto no mercado brasileiro

Desde o dia 1º de julho de 2026 uma parcela significativa de carros elétricos importados está isenta de impostos para entrar no Brasil. Essa medida, anunciada pelo governo federal, visa incentivar a importação de veículos elétricos e aquecer o mercado automotivo. No entanto, a decisão tem gerado um intenso debate entre as montadoras tradicionais e as novas marcas asiáticas, como BYD e GWM que estão se estabelecendo no país.

A isenção, que vale até janeiro de 2027, permite que as montadoras importem carros elétricos sem pagar a taxa de até 34% que normalmente incide sobre esses veículos. Essa medida beneficia principalmente as novas marcas chinesas, que estão investindo na nacionalização da produção. Por outro lado, as montadoras tradicionais alertam para a concorrência desequilibrada e a ameaça aos empregos e à cadeia de fornecedores locais.

O impacto da isenção de impostos no mercado automotivo

O debate sobre a isenção de impostos para carros elétricos importados reflete um problema mais profundo: a alta carga tributária sobre a produção nacional. No Brasil, os impostos sobre a indústria são entre os mais altos do mundo, o que encarece os produtos locais e dificulta a concorrência com os importados. “A sociedade toda quer pagar menos imposto”, diz Jorge Gonçalves Filho presidente do Instituto para Desenvolvimento do Varejo (IDV). “Sem isso, precisamos de isonomia. Se o imposto do importado vai ser menor, então reduza o nosso também.”

Além dos carros elétricos, a isenção de impostos também foi estendida a outras categorias, como a chamada “taxa das blusinhas”, que incide sobre encomendas internacionais de até 50 dólares. Essa medida, que vale até o fim do governo atual, beneficia principalmente as plataformas digitais chinesas como SheinShopee e AliExpress. A Associação Brasileira de Mobilidade e Tecnologia argumenta que a taxação, enquanto vigorou, quase não gerou emprego nos setores atingidos, mas pesou no bolso dos consumidores.

Os desafios da indústria nacional

A indústria brasileira enfrenta desafios significativos para competir com os importados. “Só os encargos trabalhistas chegam a mais de 100% dos salários que pagamos”, diz Fernando Pimentel diretor-superintendente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil. “Nos países desenvolvidos, a média fica em torno de 14% a 22%.” Essa diferença de custos torna difícil para as empresas brasileiras competir com os produtos importados, que chegam ao mercado com preços mais baixos.

Com a aprovação do acordo entre Mercosul e União Europeia muitos setores nacionais vão precisar enfrentar a chegada de produtos europeus com tarifa zero. Vinhos, queijos, chocolates e até automóveis terão as taxas de importação zeradas gradualmente nos próximos anos. Esses produtos, vindos de economias altamente produtivas, encontram no Brasil similares caros e sufocados pelo conhecido “custo Brasil”.

A reforma tributária e suas promessas

A reforma tributária, aprovada em 2026 e que está sendo implementada em etapas, promete melhorar uma parte substancial desse problema. O projeto simplifica os impostos sobre o consumo, seguindo os moldes dos IVAs internacionais, e criará uma alíquota única. O valor preciso do imposto será definido ao longo da transição, até 2033. “A atual tributação é cumulativa e disfuncional, e é essa complexidade que a reforma deve resolver”, afirma um especialista.

No entanto, a alíquota do IVA brasileiro deve ficar em 28% a mais alta numa comparação feita entre 124 países de acordo com levantamento da consultoria PwC. Apesar disso, a simplificação da tributação deve trazer benefícios significativos para a indústria brasileira, que paga hoje tributos exorbitantes.

Autor

Bruno Costa