No Brasil, a crença de que a Bolsa de Valores supera a renda fixa no longo prazo não se confirmou. No entanto, quando se considera ações americanas, o cenário muda significativamente. Um estudo recente da IP Capital revela que, nos últimos 15 anos, apenas 33% das 50 empresas mais representativas do Ibovespa superaram o retorno do CDI, enquanto todas as 50 principais ações do S&P 500 conseguiram esse feito.
Essa diferença substancial de desempenho tem atraído a atenção de investidores e gestores, que estão buscando estratégias para aproveitar as oportunidades oferecidas pelo mercado americano. A IP Capital, por exemplo, tem adotado uma abordagem inovadora para proteger seus investimentos e maximizar os retornos.
Estratégias de investimento e proteção cambial
A IP Capital utiliza uma estratégia de hedge para proteger seus investimentos em ações no exterior. Essa operação envolve a venda de dólar futuro, permitindo que a gestora se beneficie do diferencial de juros entre o Brasil e os EUA, conhecido como carrego. Atualmente, esse diferencial está em torno de 8,5% ao ano.
Pedro Andrade, sócio e gestor da IP Capital, destaca que o carrego é potente devido aos altos juros no Brasil. Essa estratégia não só protege os investimentos, mas também oferece uma vantagem adicionalespecialmente em momentos de aceleração fiscal pelo governo, que pode levar a aumentos nos juros e, consequentemente, a retornos mais altos via carrego.
Bruno Barreto, outro sócio da IP Capital, reforça que essa abordagem funciona como uma proteção quando há pressões fiscais, garantindo retornos consistentes mesmo em cenários de maior volatilidade.
Desempenho excepcional das ações americanas
No mercado americano, algumas ações têm se destacado por seu desempenho excepcional. Nos últimos 15 anos, a NVIDIA registrou uma alta média anual de cerca de 50%, seguida por empresas como Tesla, Broadcom, Eli Lilly, Lam Research, Netflix, Micron Technology e Mastercard. Esses resultados demonstram que o sucesso não está restrito a um único setor.
Pedro Andrade ressalta que os EUA são um fenômeno de geração de lucro em diferentes setoreso que torna o mercado americano uma opção atraente para investidores que buscam diversificação e retornos consistentes.
Alocação de investimentos e oportunidades
O IP Participações, principal fundo da IP Capital, tem alocado dois terços de seu patrimônio em ações no exterior, com 70% desse montante investido nos EUA. O restante é aplicado na Bolsa brasileira. Essa alocação reflete a mudança de estratégia da gestora, que antes via o mercado brasileiro como barato, mas que agora considera o mercado internacional mais promissor.
As maiores posições do fundo atualmente são Google, Microsoft e TSMC. Além disso, a gestora tem investido em empresas descontadas devido ao medo exagerado de disrupção pela IA, como Mastercard, Visa, Constellation Software e Booking. No Brasil, o principal investimento continua sendo o Itaú, que está na carteira há mais de uma década.
Bruno Barreto destaca que o compounding é muito bom e que boring is beautifulreferindo-se à consistência e estabilidade dos investimentos em empresas sólidas e bem estabelecidas.
Se essa estratégia continuar a se mostrar eficaz, ela pode reverter os resultados negativos do IP Participações nos últimos anos. Desde 1994, o fundo rendeu em média 20% ao ano, acumulando um retorno de 31.000%, o triplo do CDI. No entanto, nos últimos 12 meses, o retorno foi de apenas 5%, abaixo dos 24% do Ibovespa e dos 15% do CDI. Em cinco anos, o fundo rendeu 28%, frente aos 31% do Ibovespa e 77% do CDI.
A IP Capital tem R$ 2,7 bilhões sob gestão, demonstrando a confiança dos investidores nessa estratégia inovadora e bem-sucedida.



