O início do segundo semestre de 2026 está sendo marcado por um mercado financeiro mais cauteloso. As incertezas sobre a política monetária no Brasil e no exterior, aliadas a tensões geopolíticas e oscilações nos preços das commodities estão levando os investidores a adotar estratégias mais defensivas.
Com o Federal Reserve mantendo os juros elevados nos Estados Unidos e o Copom sinalizando cautela na redução da Selic os gestores estão priorizando empresas resilientes, especialmente nos setores financeiro e de utilities. Além disso, a volatilidade nos mercados e o fortalecimento do dólar estão limitando o fluxo de capital para mercados emergentes, como o Brasil.
Reposicionamento estratégico das carteiras
Diante desse cenário, diversas instituições financeiras estão ajustando suas carteiras recomendadas para julho. A Ágora InvestimentosPlannerTerra InvestimentosGenial InvestimentosAndbankBB InvestimentosItaú BBA e BTG Pactual estão reforçando a exposição a empresas consideradas mais resilientes.
Nomes como Copel (CPLE3), Bradesco (BBDC4), BB Seguridade (BBSE3) e Caixa Seguridade (CXSE3) estão entre as ações mais recomendadas. Enquanto algumas casas estão reduzindo a exposição a empresas sensíveis às oscilações das commodities, outras estão aproveitando a desvalorização de ações para apostar em companhias com potencial de recuperação.
Itaú BBA prioriza ações defensivas
O Itaú BBA realizou quatro mudanças em sua carteira Top 5 para julho, substituindo Aura Minerals (AURA33), BTG Pactual (BPAC11), Equatorial (EQTL3) e Petrobras (PETR4) por Embraer (EMBJ3), Nubank (ROXO34), Sabesp (SBSP3) e Bradesco (BBDC4).
Segundo o banco, as alterações refletem uma estratégia voltada para empresas que oferecem gatilhos mais claros de valorização em um ambiente marcado por incertezas geopolíticas e juros elevados. A Embraer destaca-se pela carteira recorde de pedidos e expansão das margens, enquanto o Nubank apresenta um ponto de entrada atrativo após a queda das ações no ano.
A troca de Petrobras por Bradesco reflete a avaliação de que o potencial de valorização da petroleira ficou mais limitado após a queda do preço do petróleo. Em contrapartida, o Bradesco oferece uma combinação favorável de valuation descontado e melhora da carteira de crédito.
Genial Investimentos e BTG Pactual ajustam carteiras
A Genial Investimentos promoveu uma ampla reformulação na carteira Ibovespa 5+ para julho, substituindo Usiminas (USIM5), Vale (VALE3), Prio (PRIO3) e Vibra Energia (VBBR3) por BB Seguridade (BBSE3), Copel (CPLE3), Caixa Seguridade (CXSE3) e Eneva (ENEV3).
O movimento representa uma mudança clara de posicionamento diante do cenário de incertezas geopolíticas e juros elevados por mais tempo, reduzindo a exposição a empresas ligadas às commodities e ampliando a participação de setores considerados mais defensivos, como energia elétrica e seguros.
O BTG Pactual também fez ajustes em sua carteira recomendada para julho, buscando reduzir a exposição ao risco. A instituição retirou Localiza (RENT3) e Equatorial (EQTL3), incluiu Ambev (ABEV3) e Allos (ALOS3) e dobrou o peso de Cury (CURY3). A estratégia reflete a combinação de inflação acima da meta, perspectiva de juros elevados e saída de investidores estrangeiros da Bolsa brasileira.
A principal novidade foi a inclusão da Ambev que retorna à carteira após um longo período fora. O BTG destaca que a companhia adiciona um perfil mais defensivo, com balanço sólido e forte geração de caixa.


