A Opep+aliança que reúne países produtores de petróleo, anunciou em 7 de junho de 2026 um aumento de 188 mil barris por dia na produção a partir de julho. A decisão foi tomada durante uma reunião virtual que contou com a participação de Arábia Saudita, Rússia, Iraque, Kuwait, Cazaquistão, Argélia e Omã.
No entanto, a efetividade dessa medida é limitada devido ao bloqueio no Estreito de Ormuzcausado pela guerra no Irã. Esse bloqueio impede a maioria dos países da aliança de transformar as metas em produção real, tornando a decisão, em grande parte, simbólica.
Impacto limitado pela guerra no Irã
A guerra no Irã tem causado interrupções significativas no fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz, uma das rotas mais importantes para o transporte de petróleo bruto. Com a hidrovia praticamente fechada, produtores do Oriente Médio foram forçados a reduzir a produção, limitando o impacto do aumento anunciado pela Opep+.
Helima Croft, chefe de estratégia de mercados de commodities da RBC Capital Marketsdestacou que, neste momento, a decisão da Opep+ é mais um cenário futuro hipotético do que uma realidade imediata. “Neste momento, estamos basicamente falando de cenários futuros hipotéticos com a maior parte dos barris encalhados”, afirmou Croft.
Distribuição dos aumentos entre os países
O aumento de 188 mil barris por dia será distribuído entre os países membros da Opep+. A Arábia Saudita e a Rússia terão os maiores incrementos, com 62 mil barris por dia cada. O Iraque terá um aumento de 26 mil barris por dia, seguido pelo Kuwait com 16 mil, o Cazaquistão com 10 mil, a Argélia com 6 mil e Omã com 5 mil barris por dia.
Esses ajustes fazem parte da retirada gradual de cortes voluntários anunciados em abril de 2026. A Opep+ informou que os ajustes podem ser revertidos parcial ou totalmente, conforme a evolução das condições de mercado.
Desafios adicionais para a Rússia
A Rússiaembora não seja diretamente afetada pelo bloqueio no Estreito de Ormuz, também enfrenta desafios na produção de petróleo. Em maio, o país registrou o menor nível de produção em dez meses, devido à intensificação de ataques da Ucrânia contra sua infraestrutura petrolífera.
A Bloomberg destacou que o aumento da oferta nos Estados Unidos e a redução das compras chinesas têm impedido uma disparada mais forte nos preços do petróleo. No entanto, combustíveis como gasolina, diesel e querosene de aviação subiram durante o conflito, pressionando consumidores e ampliando o risco de desaceleração econômica.
A Opep+ também informou que os sete países pretendem compensar integralmente qualquer volume produzido acima da meta desde janeiro de 2026, estendendo o período de compensação até o fim de dezembro de 2026.
O anúncio ocorre após a produção da Opep+ ter caído em maio ao menor nível em pelo menos 37 anos, segundo levantamento da Bloomberg. A produção dos 11 membros atuais do grupo recuou 1,22 milhão de barris por dia, para 16,33 milhões de barris diários, pressionada pelos efeitos da guerra no Irã e pelas interrupções no Golfo Pérsico.
A próxima reunião dos sete países está prevista para 5 de julho, quando serão revisadas as condições de mercado, o cumprimento das metas e as compensações. A reunião ministerial completa da Opep+, agora formada por 21 países após a saída dos Emirados Árabes Unidos, está prevista para 29 de novembro.



