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18 junho 2026

Estratégias da Verde: hedge, ações brasileiras e exposição a mercados globais

A Verde está apostando em uma carteira diversificada com ouro, prata, ações globais de tecnologia e seleção de ações brasileiras para enfrentar os desafios atuais

Estratégias da Verde: hedge, ações brasileiras e exposição a mercados globais

A Verde, uma das principais gestoras de investimentos do Brasil, está adotando uma estratégia diversificada para enfrentar o cenário atual de desequilíbrio fiscal global e fluxo de capitais voltando para os Estados Unidos. A carteira da gestora combina posições em ouroprataações globais de tecnologia e uma seleção cuidadosa de ações na Bolsa brasileira.

Além disso, a Verde mantém sua característica de buscar hedges baratos em diferentes mercados, uma prática que tem sido essencial para proteger os investimentos em momentos de incerteza.

Proteção com ouro e prata

Luis Stuhlberger, fundador da Verde, destaca a importância de ter uma parte do portfólio alocada em ouro e prata diante dos conflitos geopolíticos e dos problemas fiscais. “Não estamos longe do dia em que os bancos centrais vão começar a comprar prata como reserva”, afirmou Stuhlberger durante o evento anual da casa para investidores.

A gestora tem 5% do patrimônio investido em ouro e 3% em prata. A prata, além de ser um ativo de proteção contra inflação e desequilíbrios fiscais, é amplamente utilizada na indústria, especialmente em bens como chips, semicondutores e sistemas eletrônicos de veículos. A China, por exemplo, dobrou as importações de prata entre janeiro e abril deste ano em comparação ao mesmo período de 2026, e aumentou as compras de ouro em 80%. “Vale a pena acompanhar o que a China está fazendo”, ressaltou Stuhlberger.

Exposição a mercados globais

A Verde também tem 4% do patrimônio líquido investido no S&P500 e 4,8% em uma carteira de ações globais, com um peso relevante em tecnologia. A visão da gestora é de que as transformações geradas pela inteligência artificial estão apenas no começo, e que os preços das ações, na média, não estão descolados dos fundamentos.

“Estar long em bolsas globais com exposição a tecnologia é a melhor maneira de capturar esse ciclo”, disse Daniel Campion, co-gestor da estratégia de ações globais da Verde. A gestora acredita que as ações de tecnologia têm um grande potencial de crescimento no longo prazo.

Stock picking no Brasil

No Brasil, a Verde tem 6,8% do patrimônio em uma carteira de ações e outros 6,8% em uma estrutura de opções de EWZ. Antonio Barreto, head de análise de ações Brasil, destaca que o momento é de fazer stock picking para além das blue chips.

Excluindo as produtoras de commodities, na média as demais empresas da Bolsa não melhoraram suas previsões de lucro para 2026, diferentemente do que aconteceu em outros mercados emergentes. Com a Bolsa cada vez mais dependente do investidor estrangeiro, Barreto afirma que “não é por aí que o Brasil vai atrair esse capital de volta”.

A vantagem da Bolsa brasileira, segundo ele, é ter companhias baratas, geradoras de caixa e desalavancadas. Com isso, conseguem pagar dividendos elevados. É o caso das mid e small caps, que são mais voláteis, mas, se bem escolhidas, podem gerar retornos melhores.

Durante a conferência da Verde, que comemorou os 30 anos de seu principal fundo em janeiro, os comentários no welcome coffee eram de desânimo com os juros altos e a eleição. Murilo Hidalgo, sócio do instituto Paraná Pesquisas, destacou que “não esperem que os candidatos falem em ajuste fiscal. Quem fizer isso vai ser atacado como alguém que vai cortar programas sociais e aí já era, acabou a campanha, perdeu a eleição”.

Stuhlberger mostrou ainda o desempenho positivo do Verde no intervalo complicado do pós-pandemia. De 2026 a 2026, o fundo rendeu 85%, acima dos 71% do CDI e dos 55% do índice de hedge funds da Anbima. O gestor ainda comentou a matéria recente sobre a performance ruim e altamente correlacionada dos multimercados nos últimos meses, mas destacou que não pode ser “acusado de fazer investimentos alavancados, nem de não fazer hedge”.