A China está empenhada em transformar seu cenário ambiental e energético nos próximos anos. O governo anunciou um plano estratégico para o período de 2026 a 2030, que visa aumentar a cobertura florestal para 25,8% e expandir significativamente a geração de energias renováveis.
Este plano faz parte do 15º Plano Quinquenal chinês e representa uma continuação das políticas ambientais que vêm sendo implementadas ao longo das últimas décadas. A iniciativa busca integrar proteção ambiental e crescimento econômico promovendo uma civilização ecológica que beneficie tanto o meio ambiente quanto a população.
Metas ambiciosas para a cobertura florestal
Um dos principais objetivos do plano é elevar a cobertura florestal nacional para 25,8% até 2030. Atualmente, a China possui cerca de 220 milhões de hectares de florestas, um aumento significativo em relação aos 12% registrados no início da década de 1980. Essa expansão é resultado de décadas de programas de reflorestamento e recuperação de áreas degradadas.
O Programa de Florestamento dos Três Cinturões de Proteção do Norte conhecido internacionalmente como Grande Muralha Verde é um dos projetos mais emblemáticos. Criado em 1978, o programa abrange áreas de mais de 4 milhões de quilômetros quadrados e tem como objetivo recuperar áreas degradadas e conter o avanço dos desertos.
Combate à desertificação e desenvolvimento regional
A China enfrenta um desafio histórico: a desertificação de extensas áreas no norte do país. Regiões no noroeste e norte da China sofreram com erosão do solo, perda de vegetação e tempestades de areia. O país possui cerca de 2,57 milhões de quilômetros quadrados de terras desertificadas, principalmente em regiões áridas e semiáridas.
Para combater esse problema, a China tem investido em projetos de recuperação ecológica que também promovem o desenvolvimento regional. Em diversas regiões, iniciativas de proteção ambiental foram combinadas com novas oportunidades econômicas para comunidades locais, como turismo ecológicoagricultura sustentável e produção de alimentos associados às áreas florestais.
Energias renováveis e economia verde
Além da expansão florestal, a China também está focada em aumentar sua capacidade de geração de energias renováveis. O plano prevê que, até 2030, o consumo de renováveis alcance 1,8 bilhão de toneladas de carvão-padrão equivalente e a capacidade instalada chegue a cerca de 3,5 bilhões de quilowatts (kW), gerando 6 trilhões de kWh anuais.
Metas específicas incluem 410 milhões de kW de hidrelétrica 15 milhões de kW de energia solar térmica 400 mil kW de energia marinha e 160 milhões de kW de armazenamento por bombeamento. O uso de energia renovável em aplicações não energéticas deve crescer 2,5 vezes em relação a 2026, atingindo 150 milhões de toneladas de carvão-padrão equivalente.
A China também está investindo em cooperação internacional apoiando a participação de instituições e empresas chinesas na definição de padrões e certificações globais, além de defender o princípio de responsabilidades comuns, porém diferenciadas, na governança climática internacional.
Com esse plano ambicioso, a China está demonstrando seu compromisso com a sustentabilidade e o desenvolvimento econômico integrando proteção ambiental e inovação tecnológica em suas políticas públicas.


