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3 junho 2026

USP recebe novo aporte da Ripple para projetos em blockchain e IA

A Universidade de São Paulo renovou um convênio com a Ripple que prevê aporte de 400 mil dólares para projetos acadêmicos em blockchain e inteligência artificial, com participação de várias faculdades e distribuição do recurso para bolsas, pós-doutorado e equipamentos.

USP recebe novo aporte da Ripple para projetos em blockchain e IA

A Universidade de São Paulo (USP) formalizou uma nova fase de colaboração com a empresa americana Ripple, conhecida por emitir a criptomoeda XRP e a stablecoin RLUSD. O convênio prevê a transferência de aproximadamente 400 mil dólares para a fundação ligada à universidade, valor destinado a apoiar atividades de ensino, pesquisa e extensão que envolvem tecnologias descentralizadas e inteligência artificial.

O projeto será coordenado pelo professor Marcos Antonio Simplicio Junior e tem vigência prevista de 36 meses a partir da assinatura do termo. A atuação nos laboratórios ficará concentrada principalmente na Escola Politécnica (Poli), com forte integração à Faculdade de Economia e Administração (FEA) e participação do Instituto de Pesquisas Avançadas (IEA), da Faculdade de Direito (FD) e da Escola de Comunicações e Artes (ECA).

Objetivos e áreas de pesquisa

O aporte internacional tem como foco principal impulsionar as atividades acadêmicas relacionadas ao desenvolvimento de aplicações baseadas em blockchain e em técnicas de inteligência artificial. Entre as linhas de pesquisa estão a avaliação de riscos associados à adoção dessas tecnologias, a modelagem de crédito aplicada a ativos do mundo real na América Latina e a investigação sobre infraestruturas descentralizadas que facilitem meios de pagamento seguros para a sociedade brasileira.

Além disso, o escopo inclui a pesquisa de soluções para a distribuição justa de créditos de carbono e a construção de modelos que auxiliem políticas públicas e iniciativas privadas na integração de sistemas financeiros inovadores dentro de um arcabouço regulatório local.

Destinação dos recursos

Do total do convênio, cerca de US$ 230 mil foram reservados para custear a folha de bolsas de graduação e para dar suporte a pesquisadores vinculados às linhas temáticas. Outros US$ 50 mil foram direcionados ao pagamento regular de pesquisadores em programas de pós-doutorado envolvidos no projeto. O contrato também prevê a aquisição de equipamentos: US$ 20 mil serão usados em compras de informática e infraestrutura laboratorial.

Além das despesas com pessoal e equipamentos, a proposta financeira cobre custos operacionais necessários para o funcionamento das atividades científicas e das ações de difusão do conhecimento, incluindo a organização de seminários abertos ao público e eventos de intercâmbio acadêmico com instituições nacionais e internacionais.

Impacto sobre formação e extensão

O convênio busca fortalecer três pilares institucionais: ensino, pesquisa e extensão. Na prática, isso significa ampliar a oferta de bolsas, promover capacitação em tecnologias emergentes para estudantes de diferentes cursos e criar programas de extensão que aproximem a comunidade dos avanços em pagamentos digitais e em mecanismos de certificação ambiental.

Essas ações incluem seminários setoriais, cursos e materiais de divulgação, com a intenção de auxiliar formulações de políticas públicas e de aumentar a articulação entre polos de conhecimento no Brasil e no exterior.

Perspectivas e colaborações futuras

Entre os resultados esperados pela USP está a potencial interlocução com iniciativas de infraestrutura nacional de tokenização e meios de pagamento digitais, incluindo uma possível interação com o projeto Drex do Banco Central do Brasil em atividades de pesquisa e desenvolvimento. A universidade aponta esse tipo de colaboração como um caminho para ampliar a aplicabilidade das soluções estudadas em ambientes regulados.

O convênio também abre espaço para que diferentes unidades da USP, como Poli, FEA, IEA, FD e ECA, trabalhem de forma integrada em temas multidisciplinares, combinando perspectivas técnicas, econômicas, legais e de comunicação para endereçar os desafios colocados pela adoção de blockchain e de stablecoins no contexto latino-americano.

Riscos e governança

Um dos focos centrais da pesquisa será a análise dos riscos técnicos, financeiros e regulatórios decorrentes da integração entre sistemas descentralizados e serviços sociais. A equipe pretende desenvolver modelos de avaliação que possam ser utilizados por reguladores e agentes do mercado para mitigar riscos e favorecer adoções seguras.

A governança do projeto, assim como a alocação dos recursos e a transparência na prestação de contas, foi detalhada no convênio, e a coordenação geral ficará sob responsabilidade do professor Marcos Antonio Simplicio Junior, que acompanhará a execução e os resultados ao longo dos 36 meses do acordo.

Com esse plano de trabalho, a USP busca consolidar uma agenda de pesquisa aplicada que conecte conhecimento acadêmico à demanda por inovação em pagamentos, certificação ambiental e inclusão financeira, mantendo a universidade na vanguarda dos estudos sobre tecnologias digitais e suas implicações sociais.

Autor

Staff