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17 maio 2026

MPSP amplia uso de tecnologia para combater ocultação de bens em criptomoedas

No SPIW, o procurador-geral Paulo Sérgio de Oliveira e Costa defendeu o uso de tecnologia e diálogos externos para enfrentar a migração do crime para o mundo digital

MPSP amplia uso de tecnologia para combater ocultação de bens em criptomoedas

O Ministério Público de São Paulo (MPSP) colocou na pauta a necessidade de ampliar o monitoramento sobre criptomoedas durante debates realizados na São Paulo Innovation Week (SPIW). Em sua fala, o procurador-geral Paulo Sérgio de Oliveira e Costa abordou a tendência de transferência de condutas ilícitas para o ambiente virtual e a urgência de ferramentas que acompanhem esse movimento, defendendo que instituições públicas se adaptem aos novos fluxos financeiros. A intervenção ocorreu em um painel marcado por troca de experiências e ênfase no papel da rastreabilidade no universo digital.

O tema ganhou destaque especialmente na quinta-feira (14), quando especialistas e autoridades discutiram como identificar e impedir que grupos criminosos utilizem bitcoin e outras moedas digitais para ocultar patrimônio. O debate incluiu referências ao impacto de algoritmos e ao emprego de inteligência artificial nas investigações, além de reflexões sobre proteção de dados dos cidadãos. A apresentação procurou mostrar que, para além de ferramentas, é necessária uma articulação institucional capaz de interpretar sinais complexos do mundo cripto.

Estratégias tecnológicas e mudança de paradigma

No painel técnico, a conversa se concentrou na transição das práticas investigativas tradicionais para modelos que incorporam análise de dados e automação. Segundo o procurador-geral, crimes que antes deixavam rastros físicos agora circulam em redes e exchanges, exigindo novas metodologias. Participaram do debate nomes como o deputado federal Guilherme Derrite, o delegado Artur Dian e o ex-procurador José Eduardo Ciotola Gussem, com mediação do deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP). Juntos, eles exploraram como combinar perícia humana e ferramentas automatizadas para aumentar a eficiência do combate às fraudes financeiras.

Desafios técnicos e operacionais

Entre os desafios apontados estão a volatilidade das criptomoedas, a multiplicidade de plataformas e a utilização de serviços que dificultam a identificação do beneficiário final. Foi ressaltada a necessidade de protocolos que permitam acesso à informação sem ferir garantias fundamentais, além do treinamento contínuo de equipes. A discussão também destacou o valor de sistemas que mapeiem fluxos em cadeia, usando análise de rede e modelos preditivos para detectar padrões atípicos antes que prejuízos se consolidem.

Cooperação internacional: encontro com delegação da Baviera

Na quarta-feira (13), o procurador-geral recebeu uma comitiva da Baviera para aprofundar trocas sobre investigações conjuntas, com ênfase no combate ao Primeiro Comando da Capital (PCC) e na prevenção da lavagem de dinheiro via moedas digitais. A delegação, liderada por Petra Guttenberger, demonstrou interesse nas particularidades do arranjo processual brasileiro e nas soluções técnicas adotadas pelo MPSP para bloquear a ocultação de bens. O encontro reforçou que crimes transnacionais demandam respostas articuladas entre países.

Durante a reunião, foram apresentados mecanismos que visam rastrear o destino final de ativos digitais e integrar inteligência policial com dados financeiros. A comitiva buscou compreender como a legislação e a prática brasileira se combinam para permitir cooperação efetiva, enquanto os representantes do MPSP detalharam protocolos internos e programas utilizados para interceptar operações de ocultação patrimonial.

Equipe e encaminhamentos

A recepção contou com a participação do coordenador Olavo Pezzotti e do subprocurador Arthur Lemos Junior, além de técnicos como Carmen Kfouri e Daniel Magalhães, que esclareceram aspectos operacionais. A partir desses encontros, ficou encaminhada uma agenda de intercâmbio de conhecimento e estudos conjuntos, com foco em ferramentas que aumentem a capacidade de rastrear transações e de identificar beneficiários finais em cadeias de criptoativos.

Próximos passos e impacto esperado

O procurador-geral anunciou que prepara uma agenda oficial na Itália para abordar sistemas de enfrentamento à máfia e aprofundar trocas sobre identificação de fluxos financeiros ilícitos em criptomoedas. A iniciativa pretende trazer novas práticas para impedir a conversão e dispersão de recursos associados a corrupção e ao crime organizado. No plano interno, o MPSP aposta no desenvolvimento e na aquisição de programas que tornem mais difícil a ocultação de bens de origem ilícita, fortalecendo a integração entre investigação, perícia e cooperação internacional.

Em suma, a estratégia exposta na SPIW reafirma a orientação de unir tecnologia, legislação e diálogo internacional para conter a migração do crime ao espaço digital. O foco em rastreio de blockchain, inteligência artificial e parcerias externas deve ampliar a capacidade institucional de identificar responsáveis e devolver recursos ao patrimônio público, reduzindo espaços de atuação para organizações criminosas.

Autor

Roberta Bonaventura

Roberta Bonaventura esteve no local do desabamento de uma balsa em Genova para coordenar a transmissão ao vivo, afirmando uma linha editorial de rapidez verificada. Enviada para notícias de última hora, traz consigo um detalhe pessoal: um distintivo recebido da sala de imprensa do Porto Antico.