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8 novembro 2026

Senador Rogério Marinho defende paridade de armas e expressão

Rogério Marinho lança discurso que reinventa a prática democrática no Senado, defendendo igualdade, coragem e reforma institucional.

Senador Rogério Marinho defende paridade de armas e expressão

Na tarde desta semana, o Senador Rogério Marinho dirigiu-se aos colegas do Parlamento brasileiro para apresentar sua visão sobre democracia, Constituição e a necessidade de equilibrar o poder político. O discurso, pronunciado enquanto ele concorre à presidência do Senado, trouxe à baila temas que costumam ser abafados em meio à polarização, como a “paridade de armas” e a liberdade de crítica sem medo de retaliações.

Durante o pronunciamento, Marinho reforçou a ideia de que um país só avança quando as disputas são justas e a lei “a lei valha para nós e para os nossos adversários políticos”. Ele apontou que a sociedade brasileira está doente, com instituições corroídas e competências invadidas, defendendo um retorno ao eixo original da Constituição. O tom crítico, porém construtivo, marcou o discurso como um raro exemplo de boa política, a política com P maiúsculo.

Contexto da trajetória de Rogério Marinho

Marinho já havia atuado como relator da reforma trabalhista durante o Governo Temer, posição que lhe custou a reeleição como deputado. Posteriormente, foi um dos articuladores da reforma previdenciária no Governo Bolsonaro. Essa experiência legislativa lhe conferiu reputação de “ficha limpa” e de figura discreta, porém eficaz, nos corredores do poder. Agora, ao mirar a presidência do Senado, ele opta por concentrar seu discurso em princípios democráticos ao invés de chantagens ou processos de impeachment.

Ao lembrar de sua convivência com o ex-presidente Jair Messias Bolsonaro, Marinho descreveu o ambiente interno do Executivo como marcado por “chantagem contínua e permanente”. Ele afirma que as concessões feitas naquele cenário raramente visavam o bem-comum, mas sim a conveniência de grupos que não se preocupam com as instituições nem com o povo brasileiro.

Principais argumentos do discurso

Paridade de armas e liberdade de expressão

O senador destacou que “paridade de armas” significa garantir que todas as forças políticas tenham as mesmas condições de atuação, sem que uma domine a outra de forma desproporcional. Ele pediu um ambiente onde as pessoas possam dizer o que pensam, criticar e interagir livremente, sem temer represálias de terceiros que não deveriam interferir nos processos parlamentares. Para Marinho, a ausência de medo dos cidadãos é essencial à democracia plena.

Críticas ao poder e à chantagem

Marinho denunciou a prática de “chantagem” dentro do Executivo, especialmente durante o mandato de Bolsonaro, quando, segundo ele, as decisões eram tomadas para agradar grupos específicos, e não para atender ao interesse nacional. Ele lembrou o episódio em que Bolsonaro, após perder as eleições, convocou o senador e dois colegas para discutir a candidatura à presidência do Congresso, finalizando com a frase “Presidente, vamos à luta”. O senador explicou que, embora não tenham vencido, a luta foi vitoriosa porque demonstrou unidade e resistência.

A crítica também se estendeu ao atual governo, a quem Marinho atribuiu a “responsabilidade de crimes da improbidade administrativa”, citando processos que pedem a cassação de autoridades e alegando abusos que chegam a dezenas de bilhões de reais. Em sua fala, ele comparou tais práticas a uma “mafia” que tenta silenciar parlamentares.

Propostas de reforma institucional

Para restaurar a confiança nas instituições, o senador propôs a aprovação de projetos de anistia relacionados ao 8 de janeiro, bem como a revisão de normas que permitam a reeleição de cargos, referindo-se à Proposta de Emenda à Constituição apresentada por Flávio Bolsonaro em março. Ele enfatizou que, ao ser eleito presidente do Congresso, buscará respeitar a proporcionalidade, a democracia e a dissidência, garantindo que o mandato parlamentar seja exercido sem pressões externas.

Marinho concluiu reforçando que a missão do Senado é ser guardião da Constituição, defender a inviolabilidade do mandato parlamentar e impedir que ameaças de poder e chantagem prejudiquem a livre expressão dos representantes eleitos. Seu discurso, ao combinar relatos pessoais e críticas estruturais, pretende inspirar um novo sentido de responsabilidade dentro do Legislativo brasileiro.

Autor

Bruno Costa