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Reabertura do Estreito de Ormuz impulsiona Bitcoin e gera liquidações milionárias

O Bitcoin apresentou forte movimento de alta no pregão citado, operando em níveis próximos a US$ 77.000 segundo alguns painéis e rondando os US$ 75–76 mil em outros registros intradiários. Esse avanço coincidiu com o anúncio da reabertura do Estreito de Ormuz, que teve efeito direto sobre as cotações de petróleo e, por consequência, sobre a percepção de risco e inflação no mercado. Enquanto o preço do barril recuou — chegando a operar com queda em torno de 14% e retornando à faixa dos US$ 80 — os criptoativos registraram aumento de demanda.

Em paralelo às altas do mercado spot, os derivativos observaram uma onda de liquidações que atingiu centenas de milhões de dólares. Relatórios da CoinGlass apontaram que 191.539 traders foram liquidados, com liquidações totais que somaram cerca de US$ 723,99 milhões, e a maior ordem isolada de liquidação teria ocorrido na Hyperliquid no par BTC/USD, no valor aproximado de US$ 15,75 milhões. Outras fontes destacaram também cifras na casa dos US$ 500–529 milhões em liquidações num intervalo semelhante, evidenciando a volatilidade nos mercados de futuros.

Catalisador geopolítico e impacto imediato

A reabertura do Estreito de Ormuz foi anunciada publicamente pelas autoridades iranianas, e mensagens de líderes internacionais repercutiram amplamente nas redes sociais, influenciando o sentimento dos investidores. Ao reduzir a ameaça de interrupção do fluxo de petróleo — que responde por cerca de 20% do consumo mundial — o anúncio aliviou pressões inflacionárias imediatas. Menos risco de alta de inflação tende a reduzir a necessidade de aperto agressivo por parte de bancos centrais, o que, na prática, favorece ativos de risco como o Bitcoin.

Mercado de derivativos: por que as liquidações aumentaram

Os mercados de futuros mostraram-se particularmente sensíveis ao movimento. Uma combinação de shorts concentrados e avanço do preço gerou fechamento forçado de posições vendidas. Por definição, um short squeeze é o processo em que vendedores alavancados são obrigados a recomprar o ativo para limitar perdas, alimentando ainda mais a alta. Dados indicam que traders mantinham apostas em queda por longos períodos — em alguns levantamentos, foram mencionados até 46 dias consecutivos de predominância de posições vendidas — o que elevou o risco de liquidação em cadeia.

Taxas de funding e open interest

Outro componente técnico foi o comportamento das taxas de funding em contratos perpétuos. Quando o funding rate está negativo, os vendedores pagam os compradores, sinalizando dominância dos shorts e custo para manter posições vendidas no tempo. Níveis negativos prolongados combinados com alta no open interest (OI) e em volumes tornam o mercado especialmente vulnerável a movimentos abruptos. Exchanges e plataformas de dados registraram picos em liquidações e aumento de OI em altcoins selecionadas, sugerindo realocação de risco entre mercados.

O que observar a seguir: resistências, Fed e possíveis cenários

Analistas técnicos apontam para paredes de venda em torno de faixas específicas — relatórios mencionaram uma concentração de ordens entre US$ 75.900 e US$ 76.300, estimadas em torno de US$ 450 milhões por algumas ferramentas — o que pode limitar ou retardar um rompimento mais amplo. Ao mesmo tempo, o calendário macro segue relevante: o mercado aguarda a próxima reunião do Fed no dia 29, com atenção às falas do presidente Powell e ao tom sobre políticas. Projeções citadas nas análises apontavam para cortes na taxa a partir de junho de 2027, mas qualquer alteração nas expectativas pode alterar o apetite por risco e a dinâmica das posições alavancadas.

Em síntese, a combinação de um choque geopolítico revertido, queda do petróleo e concentração de shorts criou um ambiente propício para altas rápidas e liquidações em massa. Investidores e traders devem monitorar níveis de resistência, funding, open interest e sinais vindos das reuniões de bancos centrais para calibrar risco, já que um novo ciclo de liquidações pode acelerar movimentos e ampliar a volatilidade no curto prazo.

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