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29 outubro 2026

Previsão de PIB 2026 cai para 1,6% segundo CNI

CNI revê expectativa de PIB e revela impactos nos principais setores da economia.

Previsão de PIB 2026 cai para 1,6% segundo CNI

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulgou nesta quarta-feira (28) a revisão de suas projeções macroeconômicas para o ano de 2026. A taxa de crescimento do PIB foi recuada de 2% para 1,6%, reflexo de um cenário menos favorável para a indústria de transformação e para o setor de serviços. Ao mesmo tempo, a agropecuária recebeu um ajuste positivo, subindo de 1,8% para 2,5%.

Revisão das projeções macroeconômicas

O Informe Conjuntural do terceiro trimestre indica que a inflação deverá fechar o ano em 5,15%, acima dos 4,26% registrados em 2025. A taxa básica de juros (Selic) tem projeção de encerramento em 13,25% ao ano, após dois cortes de 0,25 ponto percentual nas últimas reuniões do Banco Central. A dívida pública bruta está estimada em 83,7% do PIB, indicando um acréscimo de mais de 5 pontos percentuais em relação ao ano anterior.

Desempenho setorial: indústria, serviços e agropecuária

O crescimento esperado para o setor industrial foi reduzido de 2% para 1,3%, sendo a indústria de transformação a principal responsável pela queda, agora projetada em -0,7%. Entre os motivos citados estão a queda da demanda interna, custos elevados de crédito, aumento dos insumos e a concorrência de produtos importados. Em contrapartida, a indústria extrativa deve registrar alta de 9,1% e a construção prevê crescimento de 1,5%, impulsionada por investimentos em infraestrutura e pela expansão do programa Minha Casa, Minha Vida.

O setor de serviços teve sua projeção revisada de 1,9% para 1,6%, refletindo a estabilização do volume de serviços desde o final de 2025 e a desaceleração do comércio varejista, sobretudo nos segmentos mais dependentes de crédito. Por outro lado, a agropecuária beneficia-se de uma perspectiva mais otimista para a segunda safra de milho, o que eleva sua contribuição ao PIB de 1,8% para 2,5%.

Conta pública, mercado de trabalho e política monetária

Quanto às finanças públicas, a CNI estima um déficit primário de R$ 54,6 bilhões em 2026, equivalente a 0,4% do PIB. Se forem excluídas despesas de natureza excepcional, o resultado seria um superávit de R$ 12,6 bilhões (0,1% do PIB). Nas projeções de emprego, a população ocupada deve crescer 1,2%, enquanto a taxa de desemprego recua de 5,3% para 5% ao final do ano, fomentando elevação da massa salarial real em 4,6%.

O documento ainda aponta que a inflação deverá acelerar nos últimos meses de 2026, impulsionada por alimentos, energia, combustíveis e serviços. Apesar da expectativa de redução da Selic, os analistas da CNI argumentam que a taxa ainda está muito acima da chamada taxa neutra, o que pode pressionar o crescimento futuro.

Comércio exterior em foco

A balança comercial brasileira projeta superávit de US$ 77,3 bilhões em 2026, quase 30% superior ao resultado de 2025. As exportações devem alcançar US$ 386,7 bilhões, representando alta de 10,3%, enquanto as importações são estimadas em US$ 309,4 bilhões, com crescimento de 6,4%.

Em síntese, a revisão das perspectivas da CNI sinaliza um cenário de crescimento contido, com setores menos sensíveis ao ciclo econômico (agropecuária e mineração) sustentando a economia, ao passo que áreas dependentes de demanda interna – indústria de transformação e serviços – enfrentam maior pressão de juros e crédito.