Na véspera do 7 de Setembro de 2026 o presidente Luiz Inácio Lula da Silva utilizou um pronunciamento em rede nacional para reafirmar a soberania brasileira e enviar uma mensagem clara aos Estados Unidos. Em um discurso veiculado na noite de 6 de setembro Lula destacou a importância de o Brasil não se submeter a potências estrangeiras que buscam transformar o país em uma colônia.
O tema da soberania nacional tem sido recorrente na campanha de reeleição de Lula, especialmente diante das novas tarifas impostas pelo governo de Donald Trump ao Brasil. O discurso, que durou aproximadamente três minutos, foi antecipado pelo Broadcast Político do Grupo Estado na sexta-feira, 4 de setembro.
Defesa da independência e das riquezas naturais
Durante seu pronunciamento, Lula enfatizou que defender a independência do Brasil é essencial para preservar a soberania e a democracia do país. Ele citou as reservas brasileiras de terras raras o marco legal para minerais críticos o petróleo encontrado na Margem Equatorial e a maior fonte de água doce do mundo, destacando que essas riquezas devem ser utilizadas para o desenvolvimento tecnológico e a geração de empregos no Brasil.
“Um país soberano é aquele capaz de defender seu território, suas fronteiras, seu meio ambiente, suas riquezas e seu povo de quaisquer interesses estrangeiros”, afirmou o presidente. Lula também defendeu o livre comércio afirmando que nenhum governante estrangeiro pode tutelar o Brasil sobre com quem pode vender ou comprar.
Recados aos Estados Unidos e orgulho nacional
Em mais um recado direcionado aos EUA Lula citou a Amazônia a riqueza cultural brasileira e a transição energética como motivos de orgulho para os brasileiros. Ele finalizou seu discurso pedindo que “Deus continue abençoando o Brasil”.
Na última sexta-feira, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE)Kássio Nunes Marques autorizou o pronunciamento, entendendo que há interesse público na temática. Em regra, a publicidade institucional por agentes públicos é proibida nos três meses que antecedem as eleições.
Plano de governo e resiliência do povo
O presidente Lula destacou a importância de o povo defender a soberania brasileira, que vem sendo atacada pelo governo de Donald Trump. “Soberania é marcada pela resiliência do povo em não querer que ninguém meta o bedelho no Brasil. Não queremos mais ser colonizados. Ninguém vai tentar interferir em nossas decisões”, disse Lula em horário eleitoral.
O eixo “Defender a soberania e o protagonismo internacional do Brasil”, um dos 13 pontos do plano de governo do presidente Lula lançado em 2026, reúne propostas voltadas à proteção do território, à ampliação da presença brasileira no exterior e ao fortalecimento da autonomia nacional. O programa apresentado ao TSE trata de temas como Amazônia fronteiras, defesa, tecnologias estratégicas, integração regional e abertura de mercados.
A diretriz parte da ideia de que soberania significa garantir ao Brasil condições políticas, econômicas, tecnológicas e diplomáticas para definir seu próprio caminho. O texto defende uma atuação internacional com base na independência nacional, na defesa da paz, no multilateralismo e na cooperação, sem subordinação a outros países e com preservação dos interesses brasileiros.
Entre os pontos destacados pelo programa está o retorno do Brasil ao centro da agenda internacional. O país sediou a COP30 a Cúpula dos BRICS e a Cúpula do G20 além de liderar iniciativas como a Aliança Global contra a Fome e a Pobreza e o Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF).
O documento também aponta avanços na diplomacia comercial. Segundo o texto, a atuação do Brasil contribuiu para a abertura de 664 novos mercados em 93 destinos nos cinco continentes para produtos brasileiros. O programa cita ainda a conclusão de acordos estratégicos do Mercosul com a União Europeia com o EFTA e com Singapura.
Na área de defesa, o plano registra que, desde 2023, o Novo PAC executou R$ 20,4 bilhões em projetos estratégicos ligados à indústria de Defesa. No período, o país recebeu sete caças Gripen F-39 e três cargueiros KC-390 fabricados no Brasil, além de avançar na produção de 226 viaturas blindadas e na construção de quatro fragatas.
O texto também destaca medidas para ampliar a autonomia nacional. Uma nova legislação orçamentária passou a garantir previsibilidade aos investimentos em defesa e à Base Industrial e Tecnológica de Defesa vinculando a proteção do país à inovação, à geração de empregos qualificados, às exportações e ao desenvolvimento industrial.
Para os próximos anos, o programa propõe fortalecer as Forças Armadas e a Base Industrial e Tecnológica de Defesa com investimento em tecnologias nacionais e redução da dependência externa.
Na proteção do território, a diretriz prevê ampliar a defesa das fronteiras, da Amazônia e da Amazônia Azul além de reforçar o enfrentamento ao crime organizado transnacional.
O eixo também aborda soberania digital. O plano propõe fortalecer a defesa cibernética e a Inteligência de Estado além de defender uma governança internacional para tecnologias digitais e inteligência artificial, com proteção de dados e desenvolvimento de tecnologias estratégicas.
Na integração regional, o programa aponta a necessidade de aprofundar o Mercosul ampliar conexões de infraestrutura com o Pacífico e o Caribe e avançar na integração sul-americana em energia, defesa, segurança, saúde e desenvolvimento.
O texto também prevê a busca por novos acordos comerciais, a ampliação de mercados para produtos e serviços brasileiros e o aprofundamento de relações com ÁfricaÁsiaOriente MédioEuropaBRICS e Sul Global.
Na agenda global, o programa defende reformas da ONU do Conselho de Segurança da OMC e da arquitetura financeira internacional. O documento também propõe manter o protagonismo brasileiro no combate à fome, à pobreza e à emergência climática.
Em 2026, o governo de Donald Trump aplicou duas sobretaxas contra o Brasil, uma de 25% e outra de 12,5%. A medida abriu uma guerra comercial com o país e teve como justificativa a condenação de Jair Bolsonaro no inquérito da trama golpista, em setembro de 2025.
A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal impôs pena de 27 anos de prisão ao ex-presidente. Outras 28 pessoas também foram condenadas no caso.
Em resposta às agressões de Trump, o governo do presidente Lula afirmou que usará a Lei da Reciprocidade.
Brasil e Estados Unidos voltaram a negociar temas comerciais na última segunda-feira, 31 de agosto. Em 21 de agosto, o presidente Lula conversou por telefone com Trump e afirmou que as tarifas eram infundadas.



