O Tribunal Federal em Washington, D.C., impôs a pena de 70 meses de prisão a Evan Tangeman pela participação no esquema que desviou US$ 263 milhões em Bitcoin. A sentença, proferida em 24 de abril de 2026, complementa a confissão de culpa registrada em 8 de dezembro de 2026, quando Tangeman admitiu integrar uma organização criminosa que lavava valores provenientes de fraudes envolvendo criptomoedas.
As autoridades descrevem o grupo como composto majoritariamente por jovens, muitos ainda na casa dos 20 anos, que usaram técnicas de engenharia social para acessar carteiras digitais.
Além da pena de prisão, Tangeman recebeu três anos de liberdade supervisionada, por sua atuação na conversão dos fundos e por tentar eliminar provas quando colegas começaram a ser detidos.
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Como o golpe funcionava
O núcleo criminoso explorava o que o sistema de investigação define como social engineering, ou seja, a manipulação psicológica de vítimas para obter credenciais ou acesso remoto. Com acesso às máquinas ou a chaves privadas das vítimas, os criminosos esvaziavam carteiras de criptoativos e, em seguida, iniciavam uma série de conversões para moedas como Litecoin, Ethereum e Monero na tentativa de ofuscar a origem dos recursos.
Os papéis dentro do esquema eram variados: havia responsáveis por mapear alvos, operadores de ligações que se passavam por suporte técnico, hackers de banco de dados e até invasores que furtavam dispositivos físicos — as hardware wallets — em residências. Essa divisão de funções facilitou o fluxo de centenas de milhões em criptomoedas sem detecção imediata.
O papel de Tangeman e a ação judicial
Segundo os promotores, Tangeman atuou como um dos principais lavadores do grupo, transformando cripto em dinheiro vivo e bens de luxo. Em sua confissão, ele reconheceu lavar pelo menos US$ 3,5 milhões, além de orientar a ocultação de evidências quando as primeiras prisões ocorreram. O processo incluiu acusações sob a legislação RICO (racketeering-influenced and corrupt organizations), que trata de organizações criminosas envolvidas em múltiplos atos ilícitos.
Provas reunidas pelas equipes do DOJ, FBI e IRS Criminal Investigation indicaram que Tangeman colaborou com corretores imobiliários para alugar residências de alto padrão em Los Angeles e Miami, com aluguéis mensais entre US$ 40 mil e US$ 80 mil, geralmente para esconder a origem dos fundos e acomodar os membros do grupo.
Destruição de provas e consciência de culpa
Ao serem iniciadas prisões de comparsas, Tangeman instruiu um coautor a eliminar dispositivos eletrônicos ligados à operação, atitude que, para o tribunal, evidenciou tentativa de obstrução e consciência de culpa. A juíza responsável incluiu esse comportamento como agravante na dosimetria da pena, reforçando o caráter organizado da associação criminosa.
Luxo, apreensões e repercussão pública
Os investigadores apontam que os recursos desviados alimentaram um padrão de consumo extravagante: gastos em casas avaliadas entre US$ 4 milhões e quase US$ 9 milhões, compras de relógios e bolsas de alto valor, fretamento de jatos particulares e noites em casas noturnas em que se chegaram a gastar até US$ 500 mil em uma única ocasião. Entre os bens apreendidos estão um Rolls-Royce Ghost e um Porsche GT3 RS.
Nas redes sociais, muitos comentaram que a pena parecia branda diante do montante subtraído e do impacto do crime. Autoridades, por sua vez, destacaram que a condenação constitui parte de uma ofensiva mais ampla contra grupos que exploram criptomoedas para ocultar ativos ilícitos.
Cooperação entre agências e desdobramentos
A investigação envolveu unidades do U.S. Attorney’s Office em Washington, o FBI Washington Field Office e o IRS-CI, com apoio de agentes em Los Angeles, Miami e de promotores em vários estados. Em maio de 2026 as autoridades ampliaram a lista de acusados para 12 envolvidos, detalhando funções específicas de cada membro no esquema.
Contexto mais amplo
Esse caso integra uma tendência de ações internacionais contra fraudes com criptoativos. Casos recentes, como a condenação de outro acusado em 17 de abril de 2026 por apropriação de criptomoedas via phishing e SIM swap, mostram a intensificação da fiscalização. Para promotores, desarticular essas redes exige coordenação entre agências e o desenvolvimento de técnicas forenses para seguir rastros que os criminosos tentam ofuscar.
Ao final, a condenação de Evan Tangeman representa tanto uma vitória processual quanto um lembrete do alcance dos golpes que exploram vulnerabilidades humanas e a natureza complexa da lavagem de ativos em ambientes digitais. As investigações continuam, enquanto o mercado e órgãos reguladores buscam formas de reduzir a exposição a esse tipo de ameaça.
