O mercado imobiliário de São Paulo tem passado por uma transformação significativa nos últimos anos. Com um crescimento impressionante de 131% nos investimentos entre 2019 e 2026, a cidade se consolidou como um polo atrativo para investidores. Esse crescimento é impulsionado por diversos fatores, incluindo a recuperação econômica pós-pandemia e a crescente demanda por espaços comerciais e residenciais.
Além disso, o comércio eletrônico tem influenciado diretamente o setor, com a necessidade de galpões e centros de distribuição aumentando consideravelmente. A Grande São Paulo, em particular, concentra a maior parte dos investimentos, reforçando seu papel como motor econômico do estado.
Fatores que impulsionam o mercado imobiliário em São Paulo
Vários fatores contribuem para o crescimento do mercado imobiliário em São Paulo. A localização estratégica da cidade, sua densidade populacional e a diversidade de oportunidades de negócios são alguns dos principais atrativos. A recuperação econômica pós-pandemia, que incluiu a volta ao trabalho presencial, ajudou a revitalizar a confiança dos investidores.
O retorno ao trabalho presencial teve um impacto significativo no mercado imobiliário. Com as empresas readaptando seus espaços físicos, houve um aumento na demanda por escritórios e locais de trabalho que promovam a interação e colaborações face a face. Essa mudança não apenas reanimou o setor, mas também trouxe novas necessidades de configuração de espaços comerciais.
O impacto do comércio eletrônico
O crescimento vertiginoso do comércio eletrônico também influenciou o investimento imobiliário. A necessidade de galpões e centros de distribuição está em alta, com investimentos em logística alcançando R$ 2 bilhões, especialmente nas regiões de São Bernardo do Campo, Guarulhos e Santo André. Essa tendência reflete a crescente necessidade de infraestrutura que suporte as operações do e-commerce e a logística associada.
Tendências e projeções para o futuro
As previsões para o mercado imobiliário em São Paulo nos próximos anos permanecem otimistas. A demanda por empreendimentos inovadores e multifuncionais deve continuar crescendo, à medida que mais pessoas buscam soluções habitacionais que agreguem diferentes funções, como residências, comércio e serviços em ambientes integrados.
Projetos multiuso não são apenas uma tendência, mas uma necessidade para atender a um estilo de vida contemporâneo e dinâmico. Além de facilitar a vida urbana, eles também tendem a proporcionar experiências mais ricas, permitindo morar, trabalhar e se divertir em um único espaço. O Parque Global e outros empreendimentos semelhantes são reflexos dessa mudança na forma como as cidades são planejadas e desenvolvidas.
O interior paulista em alta
Além da capital, várias cidades do interior paulista também estão atraindo investimentos significativos. Sorocaba, Campinas, Ribeirão Preto e Araçatuba apresentaram investimentos expressivos, com valores de R$ 520 milhões, R$ 480 milhões, R$ 400 milhões e R$ 150 milhões, respectivamente. Isso indica não apenas um fortalecimento do interior, mas também uma diversificação da economia na região.
Desafios e oportunidades
A intenção de compra de imóveis no Brasil atingiu o maior valor da série histórica, chegando a 52%. No entanto, a classe média enfrenta desafios significativos, como a escassez de projetos imobiliários economicamente viáveis devido ao custo elevado do crédito. Muitos consumidores da classe média não conseguem acomodar no orçamento familiar o valor da parcela mensal, o que leva à necessidade de dar um valor maior de entrada, adiando ou inviabilizando a aquisição do bem.
Como resultado, os imóveis usados aparecem não só como opções, mas se tornam quase exclusivamente as únicas compras possíveis. Entre os 160 mil financiamentos imobiliários concedidos a pessoas físicas no primeiro semestre de 2026 por meio do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE), 70% foram para a compra de imóveis de segunda mão.
O maior mercado imobiliário do País, a cidade de São Paulo, também vê uma crescente na compra de propriedades do mercado secundário. Segundo dados do Conselho Regional de Corretores de Imóveis do Estado de São Paulo (Creci-SP), as vendas de imóveis usados cresceram 31% no acumulado deste ano até maio.
Essa expansão do segmento de usados revela a existência de um grande déficit de lançamentos imobiliários. A demanda por imóveis ainda supera, muito, a oferta de novos empreendimentos. A classe média é historicamente a principal afetada por essa carência e, por isso, se tornou o motor do mercado imobiliário de usados.
Enquanto a população de renda mais baixa é atendida há 16 anos pelo programa Minha Casa, Minha Vida e a alta renda tem as necessidades supridas pelo pujante mercado de luxo, o “meio do caminho” acabou desassistido pelas incorporadoras e construtoras.
O crescimento de usado é a incapacidade do setor produtivo de atender à necessidade do mercado. Essa defasagem entre demanda e oferta se agravou, segundo o presidente do Creci-SP, com o avanço do emprego formal nos últimos anos, um dos gatilhos para a compra de imóveis.
Entre 2026 e o primeiro semestre de 2026, por exemplo, o saldo de admissões superou o de desligamentos, de acordo com dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). O emprego formal, a carteira assinada, é o documento que a pessoa precisa para comprovar a renda e ter acesso ao financiamento.
Paralelamente, houve uma série de incentivos que engordou o nicho de imóveis usados, como a possibilidade de financiamento pelo Minha Casa, Minha Vida e a redução do porcentual de entrada para a faixa 3 do programa.
Carlos Honorato, professor da FIA Business School e CEO da empresa de análise de informações OUTPOD, elenca outro fator a empurrar a classe média para os usados. Mesmo quando estão em uma faixa de preço que caberia no bolso, os imóveis novos não são pensados para essa população. Estão, no geral, em um tamanho e preço inadequados para esse público.
Em São Paulo, por exemplo, tem muito lançamento de estúdio, de kitnet, imóveis que estão sendo vendidos para um público que não é uma família de classe média. Há uma busca por móveis que tenham um custo-benefício melhor. Esse custo-benefício incluiu imóveis usados maiores, com preços similares a um imóvel novo menor.
Esse foi o caso da tatuadora e artista Letícia Gadelha, de 29 anos, que optou por comprar um imóvel antigo em vez de procurar um novo. Autônoma, ela sempre teve o sonho do imóvel próprio, guardou dinheiro por anos para atingir esse objetivo, mas as características dos lançamentos nunca chamaram a atenção dela.
Ela, que tem dois cachorros e gosta de receber amigos, viu nos usados a chance de combinar melhor preço com mais espaço. Está há quatro meses morando em um apartamento de 50 metros quadrados na Vila Buarque, em São Paulo. Comprou por cerca de R$ 400 mil.
Eu gosto dessa coisa de um apartamento um pouco mais espaçoso, e até mesmo dos materiais que são feitos: gosto de um piso de taco, um pé direito alto. São coisas que eu coloquei como prioridade em um apartamento.
O mercado imobiliário do Paraguai
O Paraguai tem se tornado um destino cada vez mais atraente para brasileiros, especialmente no setor imobiliário. Com uma economia em crescimento e uma tributação atrativa para estrangeiros, o país se consolidou como um dos destinos preferidos dos brasileiros. Esse movimento não é novo, mas se intensificou nos últimos anos, gerando uma busca sem precedentes de imóveis residenciais.
Só no primeiro trimestre de 2026, foram registrados 9.125 pedidos de residência de brasileiros no país vizinho. De acordo com a Direção Nacional de Migrações do Paraguai, isso representou 64% de todos os pedidos de estrangeiros. Esse crescimento tem um impacto relevante na economia local, com o setor da construção civil respondendo por cerca de 12% do PIB.
Brasileiros também buscam imóveis no Paraguai como forma de investimento. Segundo Figueredo, os preços de entrada do metro quadrado são atrativos, principalmente quando comparados com regiões nobres de capitais brasileiras. Em bairros de alto padrão de Assunção, como Villa Morra, Recoleta e Carmelitas, o metro quadrado fica entre US$ 1,5 mil e US$ 2,5 mil.
Um diferencial no setor imobiliário no Paraguai é que, geralmente, o financiamento é feito diretamente com as incorporadoras, não passando por bancos. Podemos financiar diretamente com o investidor brasileiro. É uma estratégia para ser mais competitivo. Eu, como empresário, preciso buscar alternativas para ser mais competitivo.



