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29 outubro 2026

Lula autoriza crédito aos Correios e estuda IOF e imposto do pecado

Lula assegura financiamento aos Correios, propõe IOF sobre aplicações isentas e corre contra o relógio para emitir a MP do imposto seletivo.

Lula autoriza crédito aos Correios e estuda IOF e imposto do pecado

Em um movimento que reúne crédito institucional, mudança tributária e urgência legislativa, o Executivo de Luiz Inácio Lula da Silva anunciou três iniciativas que podem reformular tanto a estrutura dos Correios quanto importantes fontes de arrecadação federal. A medida, divulgada no Diário Oficial, traz um garantia da União de R$ 7 bilhões para a empresa postal, enquanto ao mesmo tempo o governo estuda a ampliação do IOF sobre investimentos isentos e prepara a publicação de uma medida provisória que define a alíquota do imposto seletivo, popularmente chamado de imposto do pecado.

O objetivo declarado é sustentar a saúde financeira da estatal, modernizar a frota e permitir que a organização concorra com gigantes do e-commerce, sem perder seu caráter de serviço público. Ao mesmo tempo, a Administração busca recuperar receitas que estão “escapando” do caixa da Fazenda, sobretudo nas áreas de agronegócio, imobiliário e infraestrutura.

Garantia de R$ 7 bilhões para os Correios

Através do Ministério da Fazenda, a União autorizou a concessão de garantia para um financiamento de R$ 7 bilhões destinado ao correio nacional. O recurso será operado pelos bancos ABC Brasil, Citibank, Deutsche Bank e J.P. Morgan, que já apresentam propostas para viabilizar o crédito. A ação integra o Plano de Reestruturação 2025-2027, criado para reverter o quadro de déficits e melhorar a eficiência operacional da empresa.

Entidades representativas, como a FINDECT e seus sindicatos filiados, celebram o passo, porém cobram paralelamente investimentos em tecnologia, renovação da frota e modernização da infraestrutura. Para elas, o apoio estatal só será efetivo se vier acompanhado de valorização dos trabalhadores, manutenção de direitos e transparência na aplicação dos recursos.

Revisão do IOF sobre investimentos isentos

Em paralelo, a equipe econômica do governo analisou a possibilidade de aplicar o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) a títulos que atualmente gozam de isenção de Imposto de Renda. Entre os ativos contemplados estão as Letras de Crédito Imobiliário (LCI), as Letras de Crédito do Agronegócio (LCA), os Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRI), os Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA) e as debêntures incentivadas.

Esses instrumentos, que movimentam mais de R$ 1 trilhão em capital, representam cerca de R$ 33 bilhões de receita tributária não arrecadada anualmente. Segundo projeções internas, a simples incidência de IOF poderia gerar R$ 2,6 bilhões em 2026, e o conjunto das mudanças poderia chegar a R$ 20,6 bilhões. A vantagem para o Executivo é que a alíquota do IOF pode ser alterada por decreto presidencial, sem necessidade de aprovação prévia do Congresso, permitindo ação mais rápida.

Urgência na edição da MP do imposto do pecado

Por fim, o governo enfrenta um prazo apertado para publicar a medida provisória que define a alíquota do imposto seletivo, conhecido como imposto do pecado. A lei precisa ser editada até 3 de novembro para que possa entrar em vigor em fevereiro, respeitando a chamada “noventena” que impede a cobrança de tributos nos primeiros 90 dias de sua publicação.

Sem a MP, a partir de 1º de janeiro de 2027 não haverá incidência nem do imposto seletivo nem do IPI sobre produtos considerados nocivos, como álcool, tabaco, refrigerantes e alguns veículos. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, sinalizou que a proposta será enviada ainda nesta semana, apesar de feriados que dificultam o trâmite administrativo. O setor produtivo aguarda a definição para poder planejar preços e investimentos, enquanto a oposição acusa o governo de postergar o debate para evitar impactos eleitorais.

Em síntese, as três ações — a garantia de crédito aos Correios, a revisão do IOF e a urgência na aprovação do imposto do pecado — revelam a estratégia do governo Lula de combinar apoio a empresas estratégicas, aumento de arrecadação e cumprimento de metas fiscais antes da próxima eleição.

Autor

Bruno Costa