O cenário brasileiro de base no automobilismo tem ganhado destaque nos últimos anos. Enquanto Kimi Antonelli, aos 20, celebra título mundial de Fórmula 1, o Brasil vê emergir nomes que podem preencher as vagas limitadas da categoria mais prestigiosa. Dentre eles, Dudu Salamonde, de 15 anos, destaca-se como o mais jovem da nova leva.
Formado nas pistas da Granja Viana, em Cotia, Dudu acumulou cinco títulos da Copa São Paulo e conquistou o Campeonato Brasileiro de Rotax Júnior em 2024. Seu desempenho garantiu a única vaga brasileira no Mundial de Rotax Junior, disputado no Bahrain em 2025, onde, apesar de não subir ao pódio, aprendeu a lidar com a pressão internacional.
Do kart à Fórmula 4: a trajetória de Dudu Salamonde
Após fechar a porta do kart em agosto de 2026, Dudu aceitou o convite da Parolin para integrar a fábrica italiana no campeonato europeu de kart. A experiência nas pistas de Valência, Mülsen e Kristianstad reforçou sua maturidade, culminando em um teste molhado em Mülsen que lhe rendeu a volta mais rápida. Em 2027, ele deve ingressar na Fórmula 4 europeia, competição cuja primeira temporada custa aproximadamente € 1,3 milhão.
Financiamento e planejamento: o papel da Minardi, EXA Tecnologia e Lei de Incentivo
O caminho até a F4 exige não só talento, mas um projeto financeiro sólido. A Minardi Management, única responsável pela carreira de Dudu no Brasil, estruturou um plano que combina recursos próprios, patrocínio privado liderado pela EXA Tecnologia de Alberto Leite, e captação via Lei de Incentivo ao Esporte. O projeto recebeu aprovação para angariar R$ 1 milhão, parte de um volume superior a R$ 1 bilhão destinado a iniciativas esportivas pelo Ministério do Esporte em 2024.
“A pressão financeira existe, mas lido com ela tratando-a como uma questão de planejamento integrado com patrocinadores, gestão e equipe”, declarou Dudu ao Brazil Journal. No Brasil, um ano de kart profissional varia entre R$ 400 mil e R$ 500 mil; na Europa, o custo sobe para cerca de € 200 mil, e um único dia de teste em F4 pode chegar a € 12 mil. Esses números reforçam a necessidade de um apoio contínuo, sobretudo a partir da F3, onde muitos projetos costumam estagnar.
O panorama brasileiro nas categorias superiores
Enquanto Dudu se prepara para a F4, outros jovens brasileiros já deixaram sua marca nas categorias de ponta. Gabriel Bortoleto, aos 22, iniciou sua segunda temporada na F1 em Interlagos, conquistando os primeiros pontos da Audi e mantendo uma disputa acirrada com o veterano Nico Hülkenberg. Em 2027, Rafael Câmara, campeão de F3 em 2025, estreará pela Haas, tornando-se o 34.º brasileiro a competir em uma temporada de F1. Pela primeira vez em uma década, duas vagas brasileiras estarão no grid, fato que pode abrir caminho para um terceiro piloto nacional, possivelmente Dudu.
Os caminhos para a Europa variam: Pedro Clerot e Fernando Barrichello seguiram a rota da F4 Brasil, criada pela Vicar em 2022 e homologada pela FIA, enquanto Dudu optou pela via direta ao F4 italiano, mesma escolhida por Rafael Câmara. Em comum, a maioria dos talentos deixa o país ainda na adolescência, carregando consigo o desafio de equilibrar desempenho esportivo e sustentabilidade financeira.
Olhar para o futuro, Dudu planeja residir na Itália a partir de 2027, descrevendo a mudança como um “sacrifício necessário”. Entre seus circuitos favoritos estão Spa-Francorchamps, na Bélgica, e Interlagos. Seu objetivo idealiza chegar à F1 aos 18 anos, considerando, caso não alcance essa meta, alternativas como o Mundial de Endurance, IndyCar ou rali. No fim de semana do GP de São Paulo, ele já visualiza o momento: “partindo da pole position, disputando a vitória diante da torcida brasileira”.



