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20 maio 2026

Ex-deputado diz que ministro do STF buscou informações pessoais nos Estados Unidos

Eduardo Bolsonaro afirma que Alexandre de Moraes tentou acessar seus dados pessoais nos Estados Unidos, citando relatório do Comitê do Judiciário da Câmara dos EUA e sugerindo ligação com a detenção de Alexandre Ramagem

Ex-deputado diz que ministro do STF buscou informações pessoais nos Estados Unidos

O ex-deputado Eduardo Bolsonaro publicou uma mensagem nas redes sociais em que diz que o ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, teria tentado obter seus dados pessoais enquanto ele já residia nos Estados Unidos. A alegação foi apresentada com referência a um documento do Comitê do Judiciário da Câmara dos Representantes dos EUA, divulgado em 1º de abril de 2026, que discute ações do magistrado e suas implicações no exterior.

Nesse contexto, Eduardo questionou a finalidade dessa suposta tentativa: se havia a intenção de criar condições para uma eventual prisão em solo americano caso seu status migratório permitisse alguma manobra. A postagem também relaciona o episódio à prisão e posterior liberação de Alexandre Ramagem, detido pelo ICE em Orlando, na Flórida, fato que ampliou a discussão sobre influência de autoridades brasileiras em órgãos dos EUA.

O relatório do comitê e as acusações

O documento do Comitê do Judiciário —intitulado “O ataque à liberdade de expressão no exterior: o caso do Brasil”— menciona decisões do ministro do STF que, segundo os autores, teriam efeitos fora do território brasileiro. No texto, o relatório aponta que algumas medidas poderiam configurar uma espécie de censura extraterritorial, termo usado para descrever tentativas de limitar expressão de indivíduos além das fronteiras nacionais. O próprio Eduardo Bolsonaro é citado como defensor de sanções dos EUA contra o magistrado.

O que o comitê afirma

Segundo o relatório, ações do ministro seriam capazes de alcançar cidadãos norte-americanos ou residentes nos EUA, comprometendo, na visão dos autores, direitos ligados à liberdade de expressão. O documento destaca preocupações com a possibilidade de autoridades brasileiras tentarem acessar informações ou mobilizar mecanismos internacionais para atingir oponentes políticos. Em linguagem técnica, os responsáveis pelo texto discutem o alcance de medidas judiciais em um contexto de jurisdição extraterritorial e os riscos associados à ativação de instrumentos diplomáticos ou operacionais.

Reação citada por Eduardo

Na postagem, Eduardo questiona diretamente qual seria a intenção ao buscar seus dados: se a manobra visava preparar um eventual pedido de detenção nos EUA ou facilitar o uso de órgãos americanos em fins políticos. Ele pediu atenção das autoridades estadunidenses para que não sejam instrumentalizadas por agentes brasileiros. A fala reforça a narrativa de que existe, na avaliação do ex-parlamentar, uma tentativa de perseguição que extrapola as fronteiras brasileiras.

Ligação com a prisão de Alexandre Ramagem

O episódio de Ramagem ganhou destaque quando o ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência foi detido pelo Servicio de Imigração e Alfândega (ICE) em Orlando e liberado dois dias depois. Eduardo sugeriu que a ação envolvendo Ramagem poderia estar vinculada a tentativas de uso indevido de mecanismos internacionais para encarcerar adversários políticos, embora sem apresentar evidências concretas dessa coordenação entre autoridades brasileiras e americanas.

Detalhes da detenção

Ramagem foi detido inicialmente por uma infração de trânsito, segundo versões divulgadas, e posteriormente liberado depois de procedimentos do ICE. A repercussão da prisão trouxe à tona debates sobre a forma como agências estrangeiras podem ser acionadas em casos que envolvem figuras públicas brasileiras. Críticos e aliados passaram a interpretar o episódio de maneiras distintas, com discussões que ganharam espaço tanto na imprensa quanto nas redes sociais.

Possíveis implicações políticas e jurídicas

As declarações de Eduardo Bolsonaro intensificam a tensão entre aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro e o STF, ampliando o debate sobre limites de atuação de magistrados e o alcance de decisões judiciais no exterior. Especialistas consultados geralmente ressaltam a necessidade de provas para sustentar alegações de uso indevido de instituições internacionais. Ao mesmo tempo, o caso reacende reflexões sobre censura extraterritorial, soberania e as interfaces entre sistemas jurídicos em um mundo globalizado, o que pode ter consequências diplomáticas e legais caso investigações avancem.

Autor

Camilla Pellegrini

Camilla Pellegrini, natural de Gênova e ex-enfermeira, ainda recorda a noite passada no serviço de urgência de Sampierdarena quando decidiu converter a experiência clínica em conteúdos divulgativos. Na redação apoia uma abordagem rigorosa e traz consigo postais e apontamentos de turnos reais.