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20 outubro 2026

Presidente envia procuração ao TSE e exige mesma medida de Flávio

Lula oferece abrir sigilos e pressiona Flávio a seguir o exemplo, prometendo transparência total na disputa eleitoral.

Presidente envia procuração ao TSE e exige mesma medida de Flávio

Durante a visita a Porto Alegre, o presidente Lula anunciou que entregará amanhã ao presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques, uma procuração que autoriza a quebra de seu sigilo bancário e sigilo telefônico. A medida inclui também os dados de sua esposa, Janja, e dos cinco filhos – Fábio Luís (Lulinha), Lurian, Marcos, Sandro e Luis Claudio. O gesto, declarado como forma de “limpar o nome”, vem acompanhado de um pedido explícito para que o senador Flávio Bolsonaro faça o mesmo, revelando as finanças de sua família e de suas empresas.

Procedimento legal e alcance da demanda

A procuração apresentada ao TSE tem como objetivo autorizar a quebra de sigilos fiscais, bancários e telefônicos de todos os signatários. Segundo a legislação eleitoral, o Tribunal pode acatar a solicitação quando houver consentimento expresso dos indivíduos. Lula ressaltou que a iniciativa busca impedir que “pessoas honestas sejam rotuladas como ladrões” sem provas documentais. A inclusão dos filhos, especialmente Lulinha, que já responde a investigações da Polícia Federal, demonstra a intenção de confrontar diretamente quaisquer acusações pendentes.

O pedido também menciona a necessidade de que o mesmo procedimento seja realizado nos bens de Flávio Bolsonaro, nos documentos de seu pai, Jair Bolsonaro, e nos de seus irmãos. Ao citar a possibilidade de abrir esses sigilos, Lula pretende criar um “campo de prova” público antes do segundo turno das eleições, permitindo que o eleitor veja quem realmente tem recursos declarados ou ocultos.

Contexto político: o debate da Band e as reações de Flávio

No domingo anterior, o primeiro debate presidencial do segundo turno, transmitido pela Band, acabou se tornando palco de trocas acirradas. Flávio Bolsonaro, ao notar que Lula não possui celular pessoal, fez brincadeiras sobre a suposta vulnerabilidade do presidente, chegando a sugerir que ele poderia ser “batedor de carteira”. Em resposta, Lula lançou o desafio de abrir os sigilos, afirmando que a transparência deveria ser recíproca. Ele ainda comparou seu imóvel de 190 m², adquirido em 1998, à mansão de R$ 10 milhões que Flávio teria comprado em Brasília, questionando a origem desses recursos.

Durante o mesmo debate, Lula qualificou Flávio de “miliciano desqualificado”, acusando-o de usar a política para benefício próprio e de ter vínculo com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. O adversário rebateu dizendo que suas contas sempre foram declaradas à Receita Federal e que não possui nenhum celular, tornando a proposta de quebra de sigilo telefônico irônica. O embate gerou forte movimentação nas redes, com apoiadores de Lula impulsionando a hashtag #AbreOSigiloFlavio.

O coordenador da campanha de Lula, ex-ministro Camilo Santana, reforçou a estratégia na manhã seguinte, destacando que a medida visa “dar clareza e transparência para o povo brasileiro”. Segundo ele, a iniciativa já foi testada em pesquisas internas do QG de Lula e deve permanecer como pauta dominante até a disputa final. O próximo confronto, marcado para a TV Globo, deverá retomar o tema, colocando a abertura de sigilos como ponto central da disputa.

Flávio, por sua vez, ainda não se pronunciou oficialmente sobre aceitar o convite, limitando-se a afirmar que não tem nada a esconder e que suas contas estão “bonitinhas” na Receita. Enquanto isso, a sociedade civil acompanha o desenrolar dos processos judiciais e a possibilidade real de que o TSE autorize, ou não, a quebra dos sigilos antes da votação. O desfecho dessa troca pode influenciar a percepção dos eleitores sobre a integridade dos candidatos e, potencialmente, mudar o rumo da eleição presidencial que se aproxima.