Na manhã da sexta-feira, 6 de novembro, o banco digital anunciou a interrupção dos saques e depósitos de criptomoedas realizados diretamente pelo aplicativo. A medida foi comunicada por meio de um post em sua conta oficial na rede X, informando que a funcionalidade está “temporariamente indisponível”. Apesar da suspensão, as operações de compra e venda continuam ativas, permitindo que clientes negociem Bitcoin, Ethereum, Solana e USDC dentro da plataforma.
A causa apontada foi uma “instabilidade em um fornecedor externo de dados”, que teria comprometido a verificação de transações em tempo real. O banco enfatizou que o problema não afeta sua infraestrutura interna nem coloca em risco a segurança dos ativos ou das informações dos usuários. O serviço será retornado assim que o fornecedor restabelecer o funcionamento normal.
Falha no provedor externo e a reação do Nubank
O provedor em questão é a Chainalysis, empresa especializada em monitoramento de blockchain e análise de transações suspeitas. Na mesma sexta-feira, a própria Chainalysis confirmou ter sofrido um ataque cibernético que expôs senhas, hashes e tokens de autenticação de seus clientes. Em função desse incidente, a companhia precisou suspender temporariamente algumas ferramentas, dentre elas o KYT (Know Your Transaction), que auxilia na detecção de atividades ilícitas.
Embora a vulnerabilidade tenha sido identificada na Chainalysis, o Nubank assegurou que todos os saldos dos usuários permanecem protegidos e que nenhum ativo foi movimentado sem autorização. O banco mantém contato direto com a empresa afetada, acompanhando de perto a restauração dos serviços. Até o retorno total, os usuários podem continuar a comprar e vender cripto dentro do app, mas a transferência direta para carteiras externas ou contas de outras corretoras permanece bloqueada.
Parcerias técnicas que sustentam o serviço de cripto do Nubank
Além da Chainalysis, a fintech contém outras parcerias estratégicas para viabilizar a operação de cripto. A Fireblocks fornece a infraestrutura de custódia e movimentação segura dos ativos digitais, enquanto a Paxos participa da camada de liquidez e colateralização. Todas essas relações são formalizadas via NuCrypto, a subsidiária responsável por gerenciar compra, venda, transferência e guarda de cripto dentro do grupo.
Os documentos contratuais da NuCrypto, vigentes a partir de 8 de outubro de 2026, prevêm que determinadas funcionalidades dependem de provedores externos e que eventual indisponibilidade pode gerar atrasos ou interrupções. Contudo, o regulamento não identifica explicitamente qual fornecedor está ligado à falha atual, deixando margem para especulação até que a Chainalysis ou outro parceiro divulgue mais detalhes.
O cenário mais amplo de incidentes no mercado de cripto
A interrupção no Nubank coincidiu com outras ocorrências na indústria. O Mercado Pago também anunciou a suspensão de depósitos e saques de cripto, citando alerta de ataque ao seu provedor de serviços. Na mesma semana, a exchange Mercado Bitcoin revelou um incidente que, segundo estimativas de analistas, pode representar perdas superiores a US$ 40 milhões, embora a própria empresa tenha garantido a inexistência de prejuízos para os clientes. Poucos dias antes, a Binance confirmou um ataque que comprometeu cerca de US$ 6,3 bilhões em ativos.
Mesmo com a sequência de eventos, não há evidência concreta de conexão entre o problema do Nubank e os demais episódios. O que se destaca, porém, é a vulnerabilidade crescente das cadeias de suprimentos tecnológicas que sustentam serviços financeiros digitais. Usuários ainda são aconselhados a monitorar suas contas, ativar autenticação de múltiplos fatores e manter contato com o suporte da fintech para esclarecer dúvidas.



