A exchange Binance sofreu um ataque que resultou no roubo de US$ 6,3 bilhões na quinta-feira (29). Em menos de duas dias, a empresa já havia anunciado medidas para repor os ativos perdidos e tranquilizar a comunidade. A estratégia centralizou-se na utilização de recursos próprios, reforçando o Fundo de Usuário e acionando o fundo de segurança conhecido como SAFU.
Alocação de capital e a nova prova de reservas
No sábado (31), Yi He, co-fundadora da Binance, revelou que a corretora dedicou US$ 6,34 bilhões do seu caixa ao chamado Fundo de Usuário. Essa quantia foi empregada para adquirir os ativos que ainda não estavam totalmente cobertos. Simultaneamente, a plataforma divulgou uma nova prova de reservas baseada em ZK-Proofs, demonstrando que as principais criptomoedas – Bitcoin, Ethereum, USDT, BNB, SOL, USDC, XRP, USD1, RLUSD e ZEC – já atingiram 100% de cobertura. O processo de geração das provas exigiu entre 40 e 50 horas de computação intensiva, permitindo que cada cliente verificasse individualmente se seu saldo foi incluído nos cálculos.
Movimentação do fundo SAFU e metas de liquidez
Para complementar a recompra dos tokens ainda pendentes, a Binance realizou uma transferência de 7.499 bitcoins – equivalentes a cerca de US$ 580 milhões – do fundo SAFU para suas carteiras internas. Após essa operação, o SAFU ficou com 7.500 bitcoins. A corretora ressaltou que o objetivo é devolver ao fundo um valor próximo a US$ 1 bilhão, realizando novas aquisições nos próximos dias. Esses movimentos podem ser acompanhados publicamente em exploradores de blocos, reforçando a transparência da iniciativa.
Retomada dos saques e garantia ao usuário
Ao contrário de concorrentes que mantiveram os saques abertos, a Binance optou por pausar todas as retiradas até que as reservas estejam plenamente restabelecidas e os controles de segurança concluídos. No comunicado oficial, Yi He assegurou que os usuários não serão prejudicados financeiramente pelo incidente e que a exchange absorverá integralmente o impacto do roubo. O próximo passo definido pela empresa é reabrir os saques já no domingo, 1º de novembro de 2026, conforme o cronograma previamente divulgado.
Perspectivas de mercado e reação dos investidores
No momento da redação, o preço do Bitcoin rondava US$ 77.500, registrando alta de 0,5 % nas últimas 24 horas. Outros ativos, como o token nativo da Binance (BNB), também apresentaram valorização, subindo 0,8 % no mesmo intervalo. Analistas apontam que a rapidez na comunicação e a demonstração de reservas completas contribuíram para limitar a volatilidade e preservar a confiança dos investidores, sinalizando uma maturidade crescente no ecossistema cripto.
Além das medidas emergenciais, a Binance reforçou que continuará comprando altcoins que ainda não atingiram cobertura total, tanto no mercado aberto quanto por meio de operações de balcão (OTC). Essa estratégia visa garantir que, até a próxima revisão de reservas, todos os tokens negociados na plataforma estejam respaldados por 100 % de ativos reais, alinhando-se ao compromisso de segurança estabelecido desde a criação do fundo SAFU em 2018.



