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3 julho 2026

Como a IA está moldando o cenário econômico dos EUA em 2026

A inteligência artificial está no centro dos investimentos em 2026, impulsionando o mercado americano e redefinindo estratégias globais

Como a IA está moldando o cenário econômico dos EUA em 2026

A inteligência artificial emergiu como o principal motor do crescimento econômico nos Estados Unidos no primeiro semestre de 2026, compensando os efeitos negativos da incerteza geopolítica e dos preços elevados da energia. Essa tendência foi destacada por Marina Valentini estrategista de mercados globais da J.P. Morgan Asset Management que observou um aumento significativo no ritmo da economia americana.

O boom da IA não apenas impulsionou os investimentos em tecnologia, mas também levou a uma reavaliação estratégica por parte dos investidores, que agora distinguem entre empresas disruptoras e disruptadas pela tecnologia. Esse fenômeno teve um impacto particular no setor de software, cujas ações caíram globalmente devido a incertezas sobre modelos de negócios.

O impacto da IA nos mercados financeiros

As ações americanas registraram 24 máximas históricas em 2026, impulsionadas por lucros robustos das empresas. Apesar de uma alta próxima de 10% no ano, os papéis não se tornaram mais caros, com indicadores de avaliação, como o preço sobre o lucro, caindo cerca de 7%. As projeções de lucro futuro subiram aproximadamente 15% desde o início do ano, um movimento atípico, pois normalmente essas estimativas são revisadas para baixo ao longo do ano.

Os setores de tecnologia e serviços de comunicação lideraram o crescimento de lucros no primeiro trimestre, com um aumento de cerca de 50%. Esse avanço foi impulsionado pela valorização de participações em empresas privadas e pelo aumento dos investimentos em capital das big techs que já investem cerca de US$ 700 bilhões anualmente, com projeção de chegar a US$ 1 trilhão.

Perspectivas para o segundo semestre de 2026

A J.P. Morgan projeta uma queda gradual da inflação nos EUA no segundo semestre, caso haja uma resolução duradoura da crise no Estreito de Ormuz. Esse movimento seria apoiado por preços de energia mais baixos, tarifas menores, desaceleração da inflação de moradia e crescimento moderado dos salários. Valentini destaca a importância da queda do petróleo e da ausência de pressões salariais, projetando uma inflação em torno de 3% no fim do ano, ainda acima da meta do Federal Reserve.

O mercado de trabalho deve gerar entre 50 mil e 75 mil vagas por mês, com o crescimento sendo sustentado mais por ganhos de produtividade, impulsionados pela IA, e pela queda da imigração. Nesse cenário, o Fed deve manter os juros estáveis até o fim do ano, com possibilidade de cortes moderados em 2027, o que poderia levar a uma nova trajetória de desvalorização do dólar.

Riscos e oportunidades no cenário global

Apesar do otimismo, o risco geopolítico ainda está presente. Um novo bloqueio em Ormuz, que provoque uma nova alta do petróleo, poderia trazer de volta a preocupação com os juros. O acordo atual vale por 60 dias, e ainda falta negociar por quanto tempo o Irã vai deixar de ter armamentos nucleares.

No nível microeconômico, os lucros ajustados das empresas do S&P 500 cresceram 27% no primeiro trimestre na comparação anual, e os analistas esperam uma nova alta de cerca de 20% no segundo semestre. Os investidores devem adotar uma visão mais seletiva sobre os vencedores e perdedores da IA, especialmente no setor de software, monitorando como a migração para modelos de cobrança por uso afetará a adoção da tecnologia.

Como boa parte da valorização das ações está ligada à IA, qualquer sinal de desaceleração desses investimentos pode pressionar o mercado. O principal risco é uma notícia negativa envolvendo o setor, seja em conferências, lançamentos de novos modelos ou processos de abertura de capital de empresas como a SpaceX e a Anthr.