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29 outubro 2026

PF investiga aporte estrangeiro à campanha de Flávio Bolsonaro

STF ordena investigação da PF sobre possível financiamento externo e uso de perfis estrangeiros na campanha de Flávio Bolsonaro.

PF investiga aporte estrangeiro à campanha de Flávio Bolsonaro

Na manhã de 27 de outubro, o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, assinou ordem para que a Polícia Federal abra um inquérito detalhado sobre alegações de financiamento estrangeiro na campanha presidencial do senador Flávio Bolsonaro. A medida surge após petições do partido do presidente eleito e de Renan Santos, candidato derrotado na primeira volta, que solicitaram ao STF a aplicação de precedentes acerca da soberania nacional no processo eleitoral. A investigação deverá analisar não apenas a movimentação de recursos financeiros, mas também a prestação de serviços, mão de obra ou qualquer vantagem econômica vinculada à candidatura.

Decisão do ministro e escopo da apuração

A determinação de Dino destaca que a Constituição brasileira veda expressamente que partidos e candidaturas recebam recursos de entidades ou governos estrangeiros. O inquérito terá cinco frentes de investigação: (i) a natureza das tratativas entre a empresa americana Rockbridge Network e os empresários brasileiros Tallis Gomes e Pedro Sang; (ii) a identidade dos pagadores e a origem dos recursos que supostamente foram utilizados por perfis criados no exterior; (iii) possíveis ligações entre esses fluxos financeiros e interesses em minerais críticos ou terras raras brasileiras; (iv) eventuais contatos entre representantes da Rockbridge e empresários locais; e (v) a suspeita de manipulação algorítmica em plataformas digitais.

Possíveis atores e rotas de financiamento estrangeiro

Segundo as alegações, a Rockbridge Network teria sido intermediária de negociações para captar apoio econômico ao candidato Bolsonaro, por meio de Tallis Gomes, fundador da fintech Hotmart, e Pedro Sang, empresário com histórico em startups de tecnologia. Ambos negam qualquer participação na gestão ou direção da Rockbridge e afirmam que suas manifestações públicas são meramente opiniões pessoais. A PF precisará comprovar se houve efetivo repasse de valores, se esses recursos foram convertidos em serviços de campanha, ou ainda se foram disponibilizados benefícios de natureza econômica que não foram declarados nos registros oficiais.

Algoritmos, redes sociais e o papel da Meta

Além da suposta origem externa do dinheiro, o inquérito abrangerá a suposta utilização de algoritmos para favorecer o candidato nas redes. Documentos internos da empresa de tecnologia Meta (controladora do Facebook, Instagram e WhatsApp) teriam revelado que contas vinculadas ao senador receberam recomendação de impulsionamento, enquanto a conta do presidente eleito enfrentou restrições. A PF investigará supostas “asymmetrias dolosas” – manipulação intencional dos mecanismos de entrega de conteúdo – e a veiculação paga de mensagens favoráveis ao candidato por perfis com sede no exterior, sem identificação do pagador ou dos valores envolvidos, utilizando ainda previsões da plataforma Polymarket.

O ministro Dino enfatizou que a presença de indícios de ingerência estrangeira no pleito representa uma ameaça à soberania da República e que o Estado tem o dever constitucional de proteger a democracia, a soberania popular e a livre formação da vontade eleitoral. A ordem foi enviada a dez órgãos, entre eles a Agência Brasileira de Inteligência, o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), a Receita Federal e o Banco Central, que deverão colaborar na coleta de informações e no cruzamento de dados financeiros.

Enquanto a investigação segue, Flávio Bolsonaro nega qualquer irregularidade, afirmando que sua campanha foi totalmente financiada por recursos nacionais. Caso sejam confirmadas as suspeitas, as sanções podem incluir o afastamento de mandato, multas e até a inelegibilidade, conforme previsto na Lei dos Partidos Políticos. O desdobramento desse caso pode ainda revelar novos caminhos de interferência externa em processos eleitorais, sobretudo no ambiente digital, e definir precedentes para futuras eleições no Brasil.