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22 outubro 2026

Mercado em alta: dólar baixa, Ibovespa sobe e a corrida presidencial altera expectativas

Dólar em queda, Ibovespa em alta e eleição 2026 ditam o ritmo da B3 em meio a protestos europeus e dados americanos.

Mercado em alta: dólar baixa, Ibovespa sobe e a corrida presidencial altera expectativas

Na manhã desta terça-feira, o dólar encerrou a sessão cotado a R$5,01, recuando 1,06% na semana e 3,01% no mês. Simultaneamente, o Ibovespa avançou 1,57%, ultrapassando a marca de 208 mil pontos, impulsionado pelas expectativas eleitorais e por sinais de alívio no cenário externo.

Desempenho da bolsa nacional e fatores internos

O índice B3 acumulou alta de 11,78% no mês e 29,28% no ano, reflexo da valorização de setores como varejo, bancos e energia. O valor de mercado das companhias listadas subiu R$ 515 bilhões nos primeiros 13 pregões de outubro, atingindo R$ 5,65 trilhões – o quarto maior ganho nominal mensal desde janeiro de 2020, segundo a análise da Elos Ayta. Entre os destaques, as ações da Magazine Luiza dispararam quase 15%, enquanto o WTI recuou 1,80% após a International Energy Agency indicar disponibilidade de reservas caso o mercado precise.

Contexto internacional: protestos na Europa e indicadores norte-americanos

Na Europa, a onda de protestos iniciada por estudantes em setembro ampliou-se para sindicatos e atingiu mais de meio milhão de manifestantes na França, com repercussões menores na Bélgica, Itália e Portugal. Na véspera, o rendimento dos títulos franceses de 10 anos chegou a 4,95%, um dos piores patamares do ano, sinalizando tensão fiscal no bloco.

Nos Estados Unidos, os dados de construção residencial mostraram queda acentuada em setembro, tanto nas autorizações de novas casas quanto nas licenças de obras, reflexo dos juros mais elevados para hipotecas. Esse recuo pressiona o setor de construção e pode reverberar nos mercados emergentes.

Corrida presidencial 2026: debate Lula × Flávio e pesquisas de intenção

O primeiro debate cara a cara entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) ocorreu no domingo, 18. O confronto abordou segurança pública, economia, saúde e programas sociais. Lula questionou o voto de 2009 de Flávio contra a ampliação da licença-maternidade, enquanto o senador cobrou explicações sobre o financiamento de R$ 134 milhões ao filme “Dark Horse”. Ambos também trocaram acusações de corrupção, envolvendo investigados como Roberta Luchsinger e o filho do presidente, Fábio Luís.

As pesquisas de intenção de voto permanecem apertadas. A última sondagem da Quaest, divulgada nesta quarta-feira, e a subsequente do Datafolha indicam empates que mantêm a disputa em alta volatilidade. Analistas apontam que a vitória de Flávio poderia acelerar um ajuste fiscal mais agressivo e reduzir a taxa de juros mais rapidamente, enquanto a reeleição de Lula reforçaria a agenda de políticas sociais.

Perspectivas para os próximos pregões

Com a agenda de indicadores ainda escassa, o mercado parece focar nos desdobramentos eleitorais e nos desdobramentos da crise europeia. Os investidores monitoram de perto as próximas divulgações de resultados do terceiro trimestre, especialmente das empresas de energia e varejo, que podem reagir tanto ao cenário interno quanto à oscilação dos preços do petróleo.

Em síntese, a combinação de dólar em quedaIbovespa em alta protestos na UE e a intensa disputa presidencial cria um ambiente de alta sensibilidade nas bolsas brasileiras. A expectativa é de que o ritmo das negociações continue ligado ao desenrolar da campanha, ao desempenho dos principais setores e ao comportamento do mercado global de energia.

Autor

Bruno Costa