No dia 20, em um encontro realizado na região da Faria Lima, em São Paulo, a terceira edição do Invest Mining Summit 2026 colocou em pauta a necessidade de aproximar projetos de mineração às fontes de capital. Reunindo representantes da iniciativa privada, instituições financeiras, investidores e representantes do governo, o evento teve como objetivo discutir temas centrais para que o rico potencial geológico do país se transforme em empreendimentos viáveis.
A coordenação da iniciativa, feita pela Rede Invest Mining ressaltou que a atual fase de transição energética e a expansão da digitalização criam demanda por minerais estratégicos, mas que esses vetores exigem ambientes favoráveis para que novos projetos avancem da exploração à operação. Segundo os debatedores, converter recursos geológicos em ativos financeiramente atraentes passa por previsibilidade regulatória acesso a capital e diálogo entre atores.
Pressupostos para atrair investimentos: previsibilidade e capital
Luiz Azevedo, presidente do conselho deliberativo da ABPM enfatizou que a pesquisa mineral é peça-chave para diversificar a produção brasileira e consolidar o país como destino de investimentos. O setor mostrou resultados comerciais relevantes no primeiro semestre, com faturamento significativo e forte valorização de commodities como cobre e ouro. Azevedo destacou, porém, que essas variações refletem mais a valorização de preços do que aumentos reais de produção, o que reforça a necessidade de transformar potencial em projetos concretos.
Na mesma linha, o executivo sublinhou a importância da regulamentação da Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos instituída pela Lei nº 15.506. Para ele, regras estáveis e licenciamento ágil são pré-condições para que o país capte recursos, incluindo capital de risco e investimentos estrangeiros, capazes de financiar as etapas de exploração e desenvolvimento.
Coordenação institucional e aceitação social como elementos competitivos
Mário Caramori, presidente do conselho superior da ADIMB apontou que o aumento global da demanda por minerais críticos, motivado pela transição energética e pela transformação digital, coloca o Brasil em posição estratégica. Caramori defendeu a articulação entre governos, empresas, investidores, universidades e entidades de classe para construir uma agenda competitiva que atraia recursos e reduza custos de operação.
Julio Nery, diretor de Assuntos Minerários e Sustentabilidade do Ibram salientou que o acesso ao financiamento permanece como um dos principais gargalos do setor. Ele também destacou a necessidade de aproveitar o momento de valorização para fortalecer a licença social para operar isto é, a aceitação das comunidades e partes interessadas aos projetos, elemento considerado essencial para a sequência dos empreendimentos.
Posição do governo e arranjo de financiamento público-privado
Na representação do vice-presidente, o chefe de gabinete Pedro Guerra afirmou que a estratégia de financiamento precisa combinar recursos públicos, capital privado nacional e investimentos estrangeiros. Segundo Guerra, a mineração integra a agenda da política industrial e a redução de entraves regulatórios e de custos estruturais são determinantes para acelerar projetos.
O representante governamental defendeu que a regulamentação da política de minerais críticos seja construída por meio de diálogo com empresas, especialistas e instituições representativas, com atenção simultânea à segurança das comunidades e aos interesses nacionais. Esse processo de construção coletiva é apontado como caminho para conferir previsibilidade e minimizar riscos que desencorajam investidores.
Temas centrais na programação e impacto nas cadeias globais
Ao longo do encontro, a programação abordou tópicos práticos: mecanismos de financiamento público e privado funcionamento do mercado de capitais para ativos minerais, avanços em pesquisa mineral e estruturas para a viabilização de projetos de exploração. O objetivo declarado pelos organizadores é conectar as demandas das empresas aos critérios e instrumentos dos financiadores, reduzindo o hiato entre exploração e operação.
Participantes ressaltaram que, além dos instrumentos financeiros, a construção de confiança entre investidores e patrocinadores exige regras claras racionalização de processos de licenciamento e abordagens sustentáveis que garantam aceitação social. Essa combinação, na visão dos debatedores, é necessária para ampliar a participação brasileira nas cadeias globais de minerais estratégicos.
O encontro serviu como plataforma para troca de experiências entre executivos, especialistas jurídicos e representantes públicos, reforçando a mensagem de que a conversão de potencial geológico em investimento depende simultaneamente de capital, regulação estável e coordenação institucional.



