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27 setembro 2026

Eleição presidencial: cenários de empate e reflexos no mercado

Entenda os cenários de empate nas pesquisas, o que é preciso para estabilizar a dívida pública e como investidores podem se posicionar diante de possíveis mudanças na política fiscal.

Eleição presidencial: cenários de empate e reflexos no mercado

As últimas sondagens divulgadas na segunda-feira (21) mostraram que a corrida presidencial está praticamente equilibrada. No primeiro turno, Luís Inácio Lula da Silva aparece com 40% das intenções, enquanto Flávio Bolsonaro mantém 37%, dentro da margem de erro de dois pontos percentuais. Essa proximidade cria múltiplos caminhos para um segundo turno, nos quais os pares de candidatos também terminam empatados tecnicamente.

Cenários de empate nas pesquisas

No turno decisivo, três combinações são possíveis: Lula x Flávio (46% a 45%); Lula x Augusto Cury (44% a 43%); e Lula x Ronaldo Caiado (45% a 45%). Em cada caso, a diferença está dentro da margem de erro, o que caracteriza um empate técnico. Essa situação abre espaço para que fatores externos – como a narrativa antissistema, a continuidade de programas sociais e a crise no STF – influenciem o resultado final.

Implicações fiscais de um possível ajuste

O cenário de governo atual fecha as contas no vermelho, acumulando déficit primário de 1,19% do PIB nos últimos 12 meses. Analistas da Empiricus apontam que, para estabilizar a dívida, seria necessário alcançar um superávit primário recorrente entre 1,5% e 2% do PIB, ou seja, cerca de três pontos percentuais acima da performance atual. O relatório destaca cinco pilares para um ajuste fiscal considerado crível desaceleração das despesas obrigatórias, revisão de indexações e benefícios, limitação de novas exceções ao arcabouço, metas primárias verificáveis e preservação da autonomia do Banco Central.

Essas medidas podem ser distribuídas ao longo de alguns anos, permitindo que o país passe de déficit primário para superávit recorrente entre 1,5% e 2% do PIB. Enquanto isso, o déficit nominal que inclui juros da dívida, já representa quase 10% do PIB, sendo 8,8 pontos preenchidos pelos encargos de juros.

Reação dos mercados financeiros

A expectativa de um ajuste fiscal plausível costuma antecipar movimentos nos mercados antes mesmo da consolidação dos indicadores. Caso a política fiscal se baseie em aumento de tributos, a renda fixa e o câmbio poderiam se beneficiar, embora a bolsa de valores sentisse pressão pela diminuição da renda disponível e das margens corporativas. Por outro lado, um ajuste voltado à contenção de gastos, revisão de subsídios e melhora na governança orçamentária tende a gerar efeitos mais amplos e duradouros.

Segundo os analistas, o primeiro impacto seria a queda do prêmio exigido nos títulos públicos, com investidores dispostos a aceitar juros menores no Tesouro Direto. A curva de juros de longo prazo poderia ser reprecificada para baixo antes mesmo de uma redução da taxa Selic, estimulando a entrada de capitais estrangeiros, valorizando o real e reduzindo a inflação esperada. Esse ciclo virtuoso também favoreceria a bolsa, que poderia ver seus múltiplos subir e o Ibovespa alcançar patamares entre 205 mil e 300 mil pontos, dependendo da qualidade do ajuste.

Forças que podem decidir a eleição

Além dos números, cinco dinâmicas podem definir quem chegará ao segundo turno. Primeiro, a narrativa antissistema que Flávio pretende usar para pintar Lula, o PT e o STF como uma única engrenagem de poder. Segundo, a continuidade e expansão de programas sociais, que ainda chegam a milhões de famílias, especialmente no Nordeste e nas periferias. Terceiro, o reajuste de cerca de 15% no Bolsa Família anunciado pouco antes da votação, que pode criar a percepção de entrega de benefícios concretos.

Quarto, a alta taxa de rejeição – 50% para Lula e 49% para Flávio – indica que a disputa será mais um julgamento comparativo, movido por medo e necessidade do que por entusiasmo. Por fim, a crise no STF, inicialmente mais prejudicial a Lula por sua associação ao poder judiciário, pode virar arma para Flávio se a oposição conseguir ligar o tribunal a escândalos do governo anterior.

Em síntese, o eleitorado decidirá entre a promessa de ruptura e a garantia de proteção social, enquanto investidores buscarão sinais de estabilidade fiscal para ajustar suas estratégias.