Na sexta-feira (18), o Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV IBRE) divulgou a segunda prévia do Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M) para setembro. Depois de registrar deflação de 0,36% na mesma leitura de agosto, o indicador saltou 1,47% no mês, refletindo uma mudança brusca no comportamento dos preços ao produtor e ao consumidor.
O resultado foi impulsionado principalmente pelo Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA-M) que passou de queda de 0,50% em agosto para alta de 1,95% em setembro. O Índice de Preços ao Consumidor (IPC) também reverteu a trajetória, passando de -0,49% para 0,47%, enquanto o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) desacelerou, reduzindo o crescimento de 0,73% para 0,27%.
Desempenho geral do IGP-M em setembro
O IGP-M é composto por três subindicadores que ponderam, respectivamente, 60% (IPA), 30% (IPC) e 10% (INCC) do cálculo final. Na segunda prévia de setembro, esse conjunto resultou em alta de 1,47%, revertendo a tendência de deflação observada no período anterior. O acumulado no ano chegou a 2,97% e, nos últimos 12 meses, o índice marcou 3,29% de crescimento.
Segundo o próprio IBRE, “O IGP-10 de setembro registrou alta liderada pelo IPA“. Essa afirmação destaca a importância do segmento de produção para o movimento inflacionário, especialmente em um contexto de volatilidade climática e tensões nos mercados externos.
Detalhes dos subindicadores
IPA-M: pressão nos preços ao produtor
O IPA-M avançou 1,95% em setembro, revertendo o recuo de 0,50% registrado em agosto. Entre os bens avaliados, a alta foi mais pronunciada nas categorias de matérias-primas brutas que subiram 3,91% – um salto expressivo quando comparado ao aumento módico de 0,23% no mês anterior. Os bens finais também mostraram recuperação, com variação de 0,56%, enquanto os bens intermediários avançaram 0,47%.
O economista Matheus Dias, do FGV IBRE apontou que “o movimento acompanha a valorização do cobre, sua principal matéria-prima, em um cenário de restrições à expansão da oferta mundial e aumento da demanda associada à eletrificação, à expansão das redes elétricas e aos investimentos em infraestrutura para centros de dados e inteligência artificial“.
IPC: destaque para energia elétrica e tabaco
O IPC registrou alta de 0,47% em setembro, revertendo a queda de 0,49% em agosto. Entre os fatores que impulsionaram esse resultado, a tarifa de energia elétrica residencial subiu 7% devido ao término do efeito do bônus de Itaipu. Além disso, o reajuste nacional da tabela de cigarros elevou o subitem em 16,47%.
Nas oito classes de despesa que compõem o índice, seis apresentaram elevações: habitação (+1,68% frente a -1,10% em agosto), alimentação (+0,03% frente a -0,91%), transportes (+0,16% frente a -0,49%), despesas diversas (+2,11% frente a 1,08%), vestuário (-0,20% frente a -1,33%) e saúde e cuidados pessoais (+0,25% frente a 0,18%). As duas classes que recuaram foram educação, leitura e recreação (-1,20% frente a +0,30%) e comunicação (-0,04% frente a +0,05%).
INCC: redução na alta da construção
O INCC ficou em 0,27% em setembro, desacelerando em relação ao 0,73% registrado em agosto. O índice, que pesa 10% no IGP-M, reflete a variação nos custos de materiais, equipamentos, serviços e mão de obra da construção civil. No período, o grupo de materiais e equipamentos manteve a alta (0,30% em setembro contra 0,20% no mês anterior), enquanto os serviços recuaram de 0,34% para 0,18% e a mão de obra desacelerou de 1,25% para 0,80%.
Mesmo com a desaceleração, o preço dos condutores elétricos continua em alta, acumulando 23% nos últimos 12 meses, reforçando a ligação entre o setor de construção e a demanda por cobre.
Em síntese, a segunda prévia de setembro aponta para um cenário inflacionário mais agressivo, liderado pela recuperação dos preços ao produtor e pela elevação da energia elétrica residencial. O acompanhamento desses indicadores será crucial para decisões de política monetária e para empresas que dependem de commodities e insumos de construção.



