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6 agosto 2026

Ouro e dólar sob pressão: como os mercados estão respondendo às últimas notícias

Os mercados financeiros estão sob pressão devido às tensões no Oriente Médio e às expectativas de aumento de juros pelo Federal Reserve.

Ouro e dólar sob pressão: como os mercados estão respondendo às últimas notícias

Os mercados financeiros globais estão em alerta nesta quinta-feira, 6 de agosto de 2026, devido a uma combinação de fatores geopolíticos e econômicos. As tensões no Estreito de Ormuz e as expectativas em torno da política monetária do Federal Reserve estão influenciando diretamente os preços do ouro e do dólar.

Na Comex divisão de metais da bolsa de Nova York (Nymex), o ouro para dezembro fechou em baixa de 0,13%, a US$ 4.299,6 por onça-troy. Já a prata para setembro caiu 1,09%, a US$ 61,606 por onça-troy. Esses movimentos refletem a reação dos investidores às últimas notícias sobre o Estreito de Ormuz e as perspectivas de aumento de juros nos Estados Unidos.

Tensões no Estreito de Ormuz impactam preços do ouro

O ouro perdeu força com a informação da agência de notícias iraniana Fars de que o acordo de reabertura do Estreito de Ormuz prevê que navios dos Estados Unidos, de Israel e de ‘países hostis’ não atravessem a hidrovia. Além disso, as embarcações que quebrarem as regras estipuladas pelo Irã e por Omã estarão sujeitas a uma multa de 20% do valor total da carga transportada.

Diante da notícia, os preços do petróleo Brent para outubro saltaram mais de 3%. O Financial Times destacou que o presidente do Federal Reserve (Fed), Kevin Warsh está preparado para elevar os juros na reunião de setembro, caso os dados de inflação voltem a piorar.

Expectativas de alta de juros pressionam títulos do Tesouro

Com a notícia, os títulos do Tesouro norte-americano, os Treasuries voltaram a subir nesta quinta-feira. O dólar também ganhou força globalmente, com o índice DXY que compara a divisa a outras seis moedas fortes, subindo 0,25%, aos 99,940 pontos.

Na ferramenta Fed Watch do CME Group a expectativa por uma alta de juros na próxima reunião do Fed, em setembro, é de 56,5%. Por ora, 43,5% preveem que os Fed Funds sigam no intervalo entre 3,50% e 3,75%. Apesar dos dados mais fracos recentes do mercado de trabalho dos Estados Unidos, a expectativa é de ganho de fôlego no payroll de julho, diminuindo as preocupações de emprego para que o Fed possa focar em sua meta de inflação de 2% ao ano.

Projeções para o mercado de trabalho nos EUA

A mediana das 25 estimativas reunidas pelo Projeções Broadcast aponta para a criação de 80 mil vagas, com previsões que variam entre 63 mil e 130 mil postos de trabalho. Se confirmada, a leitura representará aceleração frente à abertura de 57 mil vagas em junho.

Enquanto isso, o dólar à vista exibiu apreciação frente ao real na sessão desta segunda-feira, em um dia em que a moeda americana operou mais forte na maioria dos mercados mais líquidos. Um ajuste após o enfraquecimento da divisa na última semana pode ter marcado o pregão, ainda que a dinâmica de valorização tenha sido contida.

Encerradas as negociações, o dólar à vista fechou negociado em alta de 0,34%, a R$ 5,0870, depois de ter encostado na mínima de R$ 5,0531 e batido na máxima de R$ 5,0922. Já o euro comercial avançou 0,17%, a R$ 5,8550. No exterior, perto das 17h30, o índice DXY, que mede a força do dólar contra uma cesta de seis moedas de mercados desenvolvidos, oscilava +0,05%, aos 99,960 pontos.

O banco ING diz que, em teoria, o dólar deveria ter ficado mais fraco nesta sessão após as autoridades dos Estados Unidos e do Japão confirmarem uma intervenção conjunta no mercado de câmbio. A convicção da gestora é de que moedas de mercados emergentes devem ficar atrativas neste ambiente, em especial o peso chileno.

O dólar fechou em alta de 0,37% nesta segunda-feira (3), cotado a R$ 5,087, em um pregão marcado pela repercussão do novo boletim Focus e pelas expectativas em torno de um possível acordo para reduzir as tensões no Oriente Médio. O índice DXY, que mede o desempenho do dólar frente a uma cesta de seis moedas fortes, fechou próximo da estabilidade, com alta de 0,01%.

O Ibovespa encerrou o pregão em estabilidade, aos 178.000 pontos. Ao longo do dia, o desempenho do índice foi pressionado pelas ações da Vale e da Petrobras, empresas de maior peso em sua composição. Os papéis da petroleira recuaram 0,85%, cotados a R$ 43,05, enquanto os da mineradora caíram 2,14%, a R$ 74,64.

Segundo Otávio Araújo, consultor sênior da ZERO Markets Brasil, a forte queda do petróleo pressionou as ações da Petrobras e limitou um avanço mais consistente do Ibovespa. Para o especialista, a desvalorização da commodity melhora o humor dos mercados globais ao reduzir a percepção de risco geopolítico e aliviar as pressões inflacionárias, mas, ao mesmo tempo, pesa sobre os papéis da estatal.

Às 17h07, o barril do petróleo Brent era negociado a US$ 83,75, em queda de 7,07%. O petróleo perdeu força após sinais de uma possível redução das tensões no Oriente Médio. Durante o fim de semana, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que o país suspendeu novos ataques ao Irã em busca de um acordo rápido para interromper as ambições nucleares de Teerã e reabrir o estreito de Hormuz.