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11 junho 2026

Taxas dos DIs caem após cancelamento de ataques dos EUA ao Irã e dados positivos do setor de serviços

O mercado financeiro brasileiro reagiu fortemente às tensões entre EUA e Irã e aos dados econômicos recentes, com as taxas dos DIs registrando quedas significativas.

Taxas dos DIs caem após cancelamento de ataques dos EUA ao Irã e dados positivos do setor de serviços

O mercado financeiro brasileiro viveu um dia de intensa volatilidade na última quinta-feira, 11 de junho. As taxas dos Depósitos Interfinanceiros (DIs) registraram quedas expressivas, superando 40 pontos-base em vários vencimentos. Esse movimento foi impulsionado por duas frentes: as tensões geopolíticas entre os EUA e o Irã e os dados econômicos positivos divulgados no Brasil.

No início da tarde, a taxa do DI para janeiro de 2028 estava em 14,51%uma queda de 40 pontos-base em relação ao ajuste anterior de 14,906%. Na ponta longa da curva a termo, a taxa do DI para janeiro de 2035 estava em 14,325%também com uma queda de 40 pontos-base ante o ajuste de 14,728%.

Tensões geopolíticas e impacto no mercado

As tensões entre os EUA e o Irã dominaram os noticiários e influenciaram diretamente os mercados financeiros. Pela manhã, o presidente dos EUADonald Trumpanunciou que os EUA atacariam o Irãcom muita força esta noite“. No entanto, à tarde, Trump anunciou o cancelamento das ações e afirmou que um “ótimo acordo” seria assinado em breve.

Essa reversão de expectativas levou a um recuo firme dos rendimentos dos Treasuries no exterior, acompanhado pelas taxas dos DIs no Brasil. O analista Matheus Spiessda Empiricus Researchcomentou que o movimento foi impulsionado principalmente por fatores externos, com a notícia do cancelamento dos ataques sendo um dos principais vetores para os preços.

Dados econômicos brasileiros e perspectivas

Apesar do cenário internacional, os dados econômicos brasileiros também tiveram um papel importante na movimentação do mercado. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que o volume de serviços no país aumentou 1,2% em abril ante março, acima da expectativa de alta de 0,6% prevista em pesquisa da Reuters. Em relação a abril de 2026, houve alta de 1,9%contra projeção de 0,9%.

Esse resultado reforça as preocupações sobre o controle da inflação no Brasil. Desde 29 de maio, instituições financeiras vêm alterando para cima suas projeções para a inflação e a Selicapós o resultado robusto do Produto Interno Bruto (PIB) e outros indicadores divulgados posteriormente. A curva a termo segue embutindo apostas de que o Banco Central poderá elevar a Selic no segundo semestre, atualmente em 14,50%.

Para a reunião deste mês do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Centralas apostas majoritárias são de manutenção da Selicmesmo que boa parte do mercado ainda veja espaço para um último corte de 25 pontos-base. “O divisor de águas será amanhã, com o IPCA“, pontuou Spiess, destacando a divulgação do índice oficial de inflação de maio. “Se o IPCA for ruim, o Banco Central vai refletir e parar (os cortes da Selic) já nesta reunião (de junho).”

No exterior, após Trump falar sobre o acordo com o Irão rendimento do Treasury de dez anos – referência global para decisões de investimento – despencava 9 pontos-basea 4,449%.