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8 junho 2026

Novas regras chinesas visam proteger tecnologia e cadeias de suprimentos

A China está implementando novas regras para controlar investimentos no exterior e proteger sua tecnologia e cadeias de suprimentos.

Novas regras chinesas visam proteger tecnologia e cadeias de suprimentos

A China está adotando medidas agressivas para proteger sua economia e tecnologia em meio a crescentes tensões comerciais com os Estados Unidos e a Europa. O Conselho de Estadoo gabinete do governo chinês, anunciou novas regras que exigem uma análise de segurança nacional para empresas chinesas que desejam investir no exterior.

Essas medidas fazem parte de um esforço mais amplo para construir uma fortaleza econômica em torno da tecnologia e das cadeias de suprimentos da China. Em abril, o país já havia introduzido regulamentos que permitiam às autoridades intervir quando empresas estrangeiras tentassem transferir cadeias de suprimentos para fora da China.

Um novo cenário econômico global

As novas regras são um sinal claro de que os princípios de mercados abertos e livre comércioque durante décadas orientaram grande parte da economia mundial, estão dando lugar a uma era mais fragmentada. De Washington a Bruxelasas maiores economias do mundo estão optando por barreiras comerciais em vez de uma maior integração econômica.

Essa mudança é motivada, em parte, pelas crescentes preocupações com a dominância global da China em matérias-primas, produtos manufaturados e tecnologia, além da enxurrada de produtos chineses que chega aos mercados internacionais. Ben Kostrzewa, sócio e especialista em comércio internacional da Hogan Lovells em Hong Kong, afirmou que a economia ‘Chimerica’ imaginada há 20 anos acabou se revelando quimérica.

Foco na segurança nacional

Os formuladores de políticas chineses vêm construindo um arsenal crescente de controles de exportação, contramedidas e sanções comerciais em resposta a tarifas e outras restrições impostas por governos estrangeiros. As novas regras do Conselho de Estado ampliam esse esforço para as atividades internacionais das empresas chinesas e detalham como Pequim poderá retaliar empresas e indivíduos estrangeiros quando investimentos chineses forem restringidos.

As normas também concedem novos poderes às autoridades para examinar empresas chinesas que buscam oportunidades no exterior, submetendo os investimentos a análises de segurança nacional que os enquadram em três categorias: incentivados, restritos ou proibidos. Segundo advogados especializados, parte da motivação é impedir que capital, talentos e propriedade intelectual de setores nos quais a China possui vantagens competitivas deixem o país.

Impacto nas empresas estrangeiras

Empresas estrangeiras que operam na China temem que a medida seja interpretada de forma ampla o suficiente para abranger dados produzidos em suas operações chinesas, os quais precisam ser fornecidos a reguladores internacionais durante investigações ou análises de investimentos. Há cerca de uma década, a China já havia endurecido o controle sobre investimentos no exterior, classificando como irracionais algumas aquisições realizadas por grandes conglomerados.

O novo arcabouço é diferente. Seu foco é a segurança nacional, e a coordenação é muito mais ampla. O principal elemento novo das regras anunciadas nesta semana é a tentativa de desacelerar a expansão internacional das empresas chinesas. As medidas restringem a movimentação de determinados profissionais em setores considerados sensíveis, embora Pequim ainda não tenha definido claramente quais setores se enquadram nessa categoria.

As regras ainda criam a base legal para que reguladores impeçam entidades estrangeiras de investir ou operar na China — inclusive expulsando-as do país — como forma de retaliação a medidas adotadas por seus governos contra investimentos chineses. Para alguns especialistas, o aspecto mais marcante dessas regras é que elas podem limitar as ambições internacionais das empresas chinesas justamente quando elas enfrentam forte pressão para encontrar novos mercados.