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29 maio 2026

Family offices planejando mudanças na alocação diante de riscos geopolíticos

Pesquisa do UBS com 307 family offices em cerca de 30 países aponta que 60% pretendem mexer na alocação de ativos. Geopolítica e receio de crise fiscal global estão entre os motivadores principais.

Um levantamento recente conduzido pelo UBS revelou que a maioria dos family offices consultados pretende alterar suas carteiras em resposta a um cenário internacional marcado por turbulências. A pesquisa, feita com 307 family offices distribuídos em aproximadamente 30 países e que incluiu participantes no Brasil, aponta que cerca de 60% dos entrevistados planejam ajustar a alocação de ativos.

Os resultados foram divulgados em um contexto de crescente preocupação sobre conflitos geopolíticos e o risco de uma crise fiscal global, fatores que têm pressionado estrategistas e gestores a repensarem posições tradicionais e a buscarem alternativas para preservar capital e potencializar retornos.

Motivações por trás da reavaliação

Entre as razões citadas pelos family offices, destacam-se o aumento das tensões internacionais e o receio de políticas fiscais expansionistas que possam gerar volatilidade nos mercados. Muitos gestores mencionaram que a combinação de riscos macroeconômicos e incerteza regulatória está tornando mais difícil projetar desempenho futuro com base em históricos recentes.

Além disso, a necessidade de proteger patrimônio de gerações futuras tem incentivado uma visão mais conservadora em alguns casos, enquanto outros escritórios familiares veem a instabilidade como oportunidade para ajustar posições e capturar valor em segmentos específicos.

Alterações esperadas na composição das carteiras

Segundo a pesquisa, os ajustes previstos variam: alguns Family offices planejam reduzir exposição a títulos de renda fixa tradicionais, enquanto outros pretendem aumentar participação em ativos reais como imóveis e infraestrutura. Há também um movimento observado em direção a alocações maiores em alternativos, incluindo private equity e hedge funds, que podem oferecer proteção relativa em cenários voláteis.

Essa redistribuição não é uniforme: decisões dependem de horizonte de investimento, perfil de risco da família e liquidez necessária para compromissos futuros. A tendência geral, porém, é de busca por maior diversificação e por ativos com menor correlação aos mercados públicos.

Impactos práticos e gestão de risco

Na prática, a reconfiguração das carteiras demanda alterações em processos internos. Muitos family offices relataram que estão reforçando práticas de governança, ampliando stress tests e revisando limites de concentração. Outra mudança citada foi a maior frequência de análises macro e geoestratégicas no ciclo de decisão.

Alguns gestores também vêm ampliando o uso de instrumentos de proteção, como derivativos, e avaliando estratégias cambiais mais ativas. Essas medidas têm como objetivo não apenas reduzir a volatilidade, mas também preservar capacidade de investimento quando surgirem oportunidades pontuais.

Desafios operacionais e de execução

A implementação dessas mudanças enfrenta obstáculos práticos: liquidez limitada em certos mercados de alternativos, custos elevados de transação e o tempo necessário para desinvestir de posições ilíquidas. Além disso, a coesão familiar e o alinhamento entre gerações são fatores críticos para aprovar e executar movimentos de maior porte.

Para contornar essas barreiras, alguns family offices têm buscado parcerias com gestores especializados, além de estruturar veículos que permitam escalonar entradas e saídas sem comprometer a estratégia de longo prazo.

Perspectivas e próximos passos

O levantamento do UBS sugere que, embora nem todos os family offices implementem mudanças imediatas, existe uma clara disposição para revisar alocações caso os riscos se materializem. A data da divulgação reforça a relevância do tema no momento: a pesquisa foi publicada em 28 de maio de 2026.

No horizonte próximo, a capacidade desses escritórios em navegar a combinação entre proteção patrimonial e busca por retorno dependerá da qualidade das avaliações macro, da flexibilidade operacional e da aptidão em selecionar parceiros que ajudem a executar transições complexas. A tendência é que o diálogo entre consultores, gestores e famílias se torne mais frequente à medida que o ambiente global evolui.

Em síntese, a pesquisa evidencia que a incerteza está forçando uma reavaliação ampla das estratégias de investimento de family offices, com ênfase em diversificação, governança reforçada e mecanismos de proteção que possam preservar patrimônio sem sacrificar oportunidades de crescimento.

Autor

Staff