Em 26 de maio de 2026 a Strive, gestora focada em tesouraria de Bitcoin, informou a aquisição de 1.109 BTC. Segundo o anúncio do presidente e CEO Matt Cole, a operação movimentou cerca de US$ 85,4 milhões, com preço médio aproximado de US$ 76.988 por moeda. Essa compra faz parte de uma estratégia sistemática de acumulação e consolida a companhia entre os maiores detentores institucionais. Para efeito de contexto, a definição de tesouraria de Bitcoin refere-se à prática corporativa de manter parte do caixa em BTC como ativo de reserva.
Impacto nas reservas e posição no ranking
Com esse aporte a Strive passou a deter um total de 16.500 BTC, conforme registro em bases públicas, superando a corretora Coinbase, que possui cerca de 16.492 moedas. O estoque de BTC da Strive está avaliado em aproximadamente US$ 1,25 bilhão (cerca de R$ 6,3 bilhões na cotação mencionada). Essa movimentação colocou a empresa na sétima posição entre as tesourarias públicas mais expressivas em Bitcoin, mudando o mapa de grandes detentores corporativos e reduzindo a oferta líquida disponível no mercado institucional.
Instrumentos financeiros: ASST, SATA e comparativos
A ascensão da Strive acompanha o destaque de dois papéis: as ações ordinárias ASST e o instrumento de crédito SATA. No modelo adotado, as ASST funcionam como ações comuns da companhia, enquanto a SATA é um mecanismo de captação por meio de crédito. De acordo com informações divulgadas pela própria empresa, a SATA tem apresentado remuneração em torno de 13% ao ano com pagamentos diários, ao passo que um instrumento similar da Strategy, o STRC, paga cerca de 11,5% ao ano em parcelas mensais. Essas estruturas têm sido citadas por participantes do mercado como facilitadoras da alavancagem da compra de BTC.
Reações do mercado e comentários
Entre as vozes que comentaram a estratégia da Strive está Michael Saylor, fundador da Strategy, que destacou a rápida adoção de instrumentos como SATA nos mercados de crédito e a crescente liquidez das ASST nos mercados de ações. A observação reforça a percepção de que novos formatos de captação e remuneração estão potencializando a alocação corporativa em Bitcoin, atraindo tanto investidores de renda fixa quanto acionistas em busca de exposição ao ativo.
Desempenho das ações e planos de captação
As ações da Strive (ticker ASST) mostraram forte valorização, registrando alta acumulada relevante nos últimos meses — segundo levantamentos de mercado, o papel subiu cerca de 133% em três meses. Esse movimento combina a valorização do próprio Bitcoin com o interesse dos investidores em empresas com balanços expostos a ativos digitais. Paralelamente, a administração sinalizou a intenção de estudar novas rodadas de captação para ampliar ainda mais a reserva em BTC, avaliando instrumentos como emissão de ações, debêntures conversíveis e outros títulos de dívida.
Antecedentes e próximos passos
O ritmo atual de compras não surgiu do nada: a Strive já vinha ampliando sua exposição desde aquisições estratégicas, incluindo a compra da Semler Scientific no início do ano, que aportou cerca de 5.048 BTC ao balanço consolidado. Olhando adiante, a empresa não detalhou cronograma para novas compras, mas reafirmou que a alocação em Bitcoin permanece no centro da estratégia. Em um cenário maior, a demanda corporativa por BTC continua a crescer como mecanismo de proteção contra inflação e depreciação, o que pode sustentar novas operações de aquisição por players que usam o mercado de capitais para levantar recursos.