A justiça dos Estados Unidos condenou Liu Zhou, criador da plataforma financeira MyTrade por crimes de fraude em negociações de criptomoedas. O veredito foi proferido na corte federal de Boston na quinta-feira (6), marcando o fim de um longo processo que envolveu investigações complexas e operações disfarçadas.
O empresário canadense de 41 anos foi sentenciado pela juíza distrital Angel Kelley a pagar uma multa de US$ 10 mil. A condenação é resultado de um esquema que manipulava os preços de múltiplos projetos do setor, utilizando técnicas ilegais para inflar artificialmente o volume de transações.
O esquema de manipulação de mercado
Os promotores americanos acusaram Liu Zhou de organizar um complô para manipular os preços de criptomoedas. A plataforma MyTrade oferecia serviços ilegais para empresas interessadas em aumentar artificialmente o número de transações. Programas automatizados realizavam compras e vendas sucessivas do mesmo ativo, uma prática conhecida como wash trading ou negociação simulada.
Os parceiros da firma acessavam um painel de controle exclusivo para determinar o volume de tráfego artificial desejado. Esses programas prometiam um suporte de volume para maquiar as estatísticas nas corretoras de criptomoedas. Os robôs computacionais executavam milhares de ordens diárias sem nenhum propósito comercial lícito no mundo real.
Investigação com agentes disfarçados
O Federal Bureau of Investigation (FBI) descobriu a estrutura ilícita por meio de uma operação com agentes disfarçados. Os investigadores criaram uma empresa fictícia chamada NexFundAI para atrair a atenção do gestor da plataforma. As autoridades lançaram um token baseado na rede Ethereum para negociação na corretora descentralizada Uniswap servindo como isca tecnológica para flagrar as táticas ilegais oferecidas pela companhia.
Durante as conversas com os policiais disfarçados, Liu Zhou explicou os detalhes das operações de compra e venda na mesma fração de segundo. Ele afirmou a necessidade de causar perdas financeiras aos compradores para garantir os lucros do esquema. O volume forjado enganava os indicadores de análise gráfica e confundia o julgamento dos analistas de mercado, comprometendo a transparência dos preços.
Impacto e consequências legais
O esquema manipulou milhares de ordens para cerca de sessenta criptomoedas distintas em diversas plataformas globais, movimentando quantias na casa dos milhões de dólares por dia. O prejuízo recaía sobre investidores externos à comunidade privada dos operadores das fraudes virtuais, que acreditavam no sucesso orgânico das criptomoedas.
Em outubro de 2026, Liu Zhou confessou a culpa pelos delitos de fraude eletrônica. O tribunal exigiu o encerramento dos programas automatizados e a desativação das ferramentas artificiais para operações falsas. Além disso, a justiça ordenou a inclusão de um aviso claro sobre a ilegalidade das operações na página inicial da firma.
A promotora federal Leah B. Foley o agente especial Ted E. Docks e o procurador David M. Holcomb destacaram a cooperação entre investigadores e promotores para assegurar a punição pecuniária do empresário delituoso. A sentença serve de precedente para coibir práticas que minam a credibilidade do mercado de criptoativos.



