Em um movimento que sinaliza uma redução nas tensões comerciais, a China aceitou adquirir 200 jatos da Boeing e concordou em reabrir parcialmente o mercado para produtos de carne bovina oriundos dos Estados Unidos. As negociações entre as equipes comerciais dos dois países avançaram em pontos operacionais e em encaminhamentos sobre tarifas, segundo comunicado do Ministério do Comércio da China. O pacote anunciado é focalizado e técnico, focando em itens específicos de comércio e em mecanismos para tratar barreiras, em vez de representar um acordo amplo e definitivo entre as partes.
O ministério chinês também ressaltou expectativas sobre o comportamento futuro de Washington: a China pediu que os EUA cumpram compromissos previamente estabelecidos e evitem elevar as tarifas para níveis superiores aos acordados em outubro, em Kuala Lumpur. Além disso, Pequim manifestou a expectativa de que os EUA avancem em rodadas futuras na remoção de medidas tarifárias unilaterais, como parte de um processo gradual de normalização das relações comerciais.
Detalhes operacionais dos entendimentos
Entre os principais pontos práticos, a China se comprometeu com a compra dos 200 jatos da Boeing e concordou em retomar o registro de importadores qualificados de carne bovina dos Estados Unidos, o que abre caminho para novas compras. Pequim também informou que retomará aquisições de produtos avícolas de alguns Estados americanos e que vai acelerar a análise de documentos de adequação submetidos por empresas americanas do setor de carne. Do lado americano, houve acordos para suspender medidas de detenção automática aplicadas a lácteos chineses desde 2008 e esforços para remover restrições sobre três categorias de produtos aquáticos; também foram aprovadas importações-piloto de alguns produtos de bonsai chineses.
Quadro tarifário e alcance do acordo
As equipes concordaram, em princípio, em discutir um arcabouço para cortes recíprocos de tarifas, com cada lado propondo incluir bens no valor mínimo de US$30 bilhões. Os itens que receberem aprovação mútua poderão eventualmente ser tributados por alíquotas de NMF (nação mais favorecida) ou por tarifas inferiores. Segundo o economista Zhiwei Zhang, essa faixa de US$30 bilhões abarcaria algo em torno de 10% das importações americanas originárias da China, o que indica um impacto limitado sobre as projeções macroeconômicas, mas que representa um avanço incremental nas negociações.
Implicações práticas para mercados e investidores
Analistas observam que, apesar do caráter restrito dos acordos, a manutenção do diálogo e a adoção de medidas concretas em setores sensíveis são vistas como sinais positivos por investidores. A redução coordenada de tarifas em determinados segmentos pode aliviar pressões sobre cadeias de suprimento e reduzir incertezas tarifárias, ainda que não reverta imediatamente efeitos mais amplos do conflito comercial. Em suma, trata-se de passos táticos que podem preparar terreno para rodadas subsequentes com escopo maior.
Acordos sobre terras raras e controles de exportação
Além das questões tarifárias e agrícolas, as equipes trataram extensamente de controles de exportação relacionados a minerais estratégicos, como as terras raras. As duas partes concordaram em estudar conjuntamente preocupações legítimas de segurança e abastecimento. O comunicado chinês reafirmou que qualquer controle de exportação sobre minerais estratégicos é aplicado conforme leis e regulamentos nacionais e que pedidos de licença para uso civil serão analisados caso a caso, em conformidade com as normas vigentes.
Em síntese, os entendimentos anunciados têm caráter limitado e técnico: incluem a compra de aeronaves da Boeing, a reabertura parcial de mercados agrícolas dos EUA e um caminho para discutir cortes tarifários equivalentes na ordem de US$30 bilhões. Fontes oficiais apontam que esses avanços não eliminam as tensões estruturais, mas constituem um passo pragmático rumo a negociações mais profundas. Fonte: Dow Jones Newswires.
