O senador Flávio Bolsonaro afirmou ter recebido do ex-presidente Jair Bolsonaro o pedido para “ficar firme” depois da publicação de áudios e mensagens que mostram negociações com o empresário Daniel Vorcaro. Segundo relato dado à imprensa, a conversa ocorreu horas após a reportagem do Intercept Brasil viralizar, e, na ocasião, Jair teria reforçado que não há qualquer intenção de que Michelle Bolsonaro dispute a Presidência.
Os áudios e trocas de mensagens divulgados dizem respeito à tentativa de obter recursos para o filme Dark Horse, uma produção sobre a trajetória política de Jair Bolsonaro. Flávio reconheceu a veracidade das gravações, mas enfatizou que buscava financiamento privado para um projeto particular, negando irregularidade e uso de verbas públicas.
O que foi divulgado pelas reportagens
Relatórios jornalísticos apontaram que as conversas envolviam um compromisso de repasse total no valor de US$ 24 milhões para a conclusão do longa, com parcelas acordadas em diferentes datas ao longo de 2026. Parte do montante, equivalente a cerca de R$ 61 milhões, teria sido efetivamente transferida entre fevereiro e maio de 2026, segundo apurações. As mensagens mostram cobrança de valores em atraso e um áudio em que Flávio manifesta preocupação com o impacto de inadimplência sobre a equipe internacional do filme.
Menções a elenco e direção
Em um dos trechos divulgados, o senador citou nomes ligados à produção, como o ator Jim Caviezel e o diretor Cyrus Nowrasteh, ao ilustrar o risco reputacional de não honrar compromissos financeiros. A obra já havia sido apresentada por apoiadores como uma produção de alcance internacional dirigida a um público conservador, e a equipe afirmou ter encerrado as filmagens em São Paulo, passando para edição nos Estados Unidos.
Reações públicas e versões oficiais
Após a repercussão, Flávio publicou nota em que sustenta ter conhecido Daniel Vorcaro apenas em dezembro de 2026, quando, segundo ele, nada indicava suspeita pública sobre o banqueiro. O senador reiterou que não ofereceu contrapartidas, não intermediou negócios com o governo e que nenhum recurso público ou via Lei Rouanet foi utilizado. Como resposta política, ele voltou a defender a instalação imediata da CPI do Banco Master para esclarecer ligações e separar “inocentes de bandidos”.
Posições de outros envolvidos
Outros atores citados nas investigações e reportagens deram versões variadas: a produtora responsável por Dark Horse negou ter recebido recursos diretos de Vorcaro; o publicitário que teria intermediado parte das tratativas admitiu participação em apresentações do projeto a empresários; e membros do entorno do banqueiro estão sob investigação, com prisões e negociações de delação premiada em curso. A divulgação das mensagens também apontou a existência de repasses por meio de empresas e operadores financeiros indicados em relatórios jornalísticos.
Contexto investigativo e consequências políticas
O episódio se insere em um cenário maior de apurações sobre o Banco Master, cujo fundador, Daniel Vorcaro, enfrenta acusações de fraudes bilionárias e está preso, conforme levantamentos públicos. As negociações para viabilizar o filme e as cobranças por parcelas em aberto passaram a ser analisadas sob a ótica de possíveis vínculos indevidos entre atores privados e figuras políticas. Flávio sustenta que o contato retomado com Vorcaro ocorreu apenas diante de atrasos nas parcelas acordadas para finalizar a produção.
Ao mesmo tempo, o caso alimentou debates políticos sobre transparência de recursos destinados a obras que tratam de figuras públicas, e sobre a necessidade de investigação formal em Brasília. A proposta do senador por uma CPI do Banco Master ganhou relevo em seus pronunciamentos, enquanto defensores e críticos disputam narrativas sobre a natureza privada dos repasses e a existência ou não de contrapartidas políticas.
