A Terra Investimentos divulgou sua carteira semanal para o período de 16 a 23 de outubro, sem alterações em relação à semana anterior. O portfólio reúne cinco papéis que, segundo a casa de análise, têm potencial de superar o Ibovespa (IBOV) no curto prazo. Cada ativo possui peso idêntico de 20%, o que demonstra a estratégia de diversificação e a confiança nas empresas selecionadas. Entre elas, Marcopolo (POMO4) aparece ao lado de Cemig (CMIG4)Telefônica Brasil (VIVT3)Suzano (SUZB3) e MBRF (MBRF3). Essa composição reflete uma visão setorial que busca equilibrar exposição a transportes, energia, telecomunicações, papel e alimentos.
No desempenho da semana anterior, a carteira teve desvalorização de 1,90% ainda acima da queda de 2,27% registrada pelo IBOV até o fechamento de 15 de outubro. Embora nenhum dos ativos tenha registrado alta, a Marcopolo destacou-se pelo recuo mais acentuado, de 4,31%. No acumulado de 12 meses, a seleção da Terra soma um ganho de 76,46% contrastando com os 43,28% de alta do principal índice da bolsa brasileira. Esses números reforçam a tese de que, apesar da volatilidade recente, a estratégia de ponderação igualitária pode gerar retornos superiores ao mercado.
Produção de ônibus no terceiro trimestre de 2026
Os dados divulgados pela FABUS para setembro de 2026 apontam para um cenário desafiante na indústria de carrocerias de ônibus. A produção total atingiu 1.885 unidades representando queda de 25% ao ano e 21% ao mês. O segmento doméstico recuou 26% ao ano enquanto as exportações sofreram redução de 16% ao ano. Todos os sub-segmentos apresentaram retração, embora o segmento de microônibus tenha registrado crescimento de 12% ao ano insuficiente para compensar a queda de 17% ao ano nos ônibus urbanos e 10% ao ano nos rodoviários.
Para a Marcopolo a situação foi ainda mais severa: a produção de carrocerias diminuiu 21% ao ano muito acima da queda média de 7% ao ano observada na indústria. O recuo no segmento de microônibus foi drástico, com queda de 68% ao ano reflexo de um intervalo nas entregas do programa Caminho da Escola. Já a produção de ônibus rodoviários permaneceu 11% abaixo dos níveis de 2025, mas apresentou alta trimestral de 33% alinhada à sazonalidade típica do setor.
Perspectivas de curto prazo e posicionamento da Terra
A combinação de queda nas vendas e aumento nos custos de matérias-primas tem pressionado a rentabilidade da Marcopolo. Mesmo com um mix mais favorável de veículos rodoviários no último trimestre, os ganhos de eficiência ainda não são suficientes para neutralizar o impacto dos preços elevados de insumos e a menor alavancagem operacional. Diante desse panorama, a Terra Investimentos manteve postura Neutra em relação à ação, indicando que os investidores devem observar atentamente a evolução dos volumes no segundo semestre de 2026, especialmente com a expectativa de retomada trazida pelos programas Move Brasil 2 e pela demanda sazonal.
Em síntese, apesar da desvalorização recente e da produção ainda aquém das projeções, a Marcopolo continua ocupando 20% da carteira recomendada, sinalizando que a análise da Terra considera o potencial de recuperação a médio prazo. Os operadores de mercado que acompanham a empresa precisarão monitorar tanto os indicadores de produção quanto as margens de lucro, já que qualquer melhoria no mix de modelos ou redução dos custos de matéria-prima pode mudar rapidamente o cenário de desempenho. Enquanto isso, a estratégia de manter a ação em posição neutra reflete cautela, mas também reconhece a capacidade da empresa de reverter o quadro adverso se as condições operacionais melhorarem no próximo semestre.



