A Strategy, empresa ligada a Michael Saylor, viu a sua grande reserva de Bitcoin voltar a ficar no positivo na sexta-feira (17), depois que a criptomoeda superou a casa dos US$ 77.000 na esteira da reabertura do Estreito de Ormuz pelo Irã. Com um total de 780.897 bitcoins em tesouraria, a companhia voltou a ter posição lucrativa graças ao movimento de preços e aos aportes realizados ao longo dos últimos anos.
O custo médio por moeda da Strategy está em US$ 75.577. A trajetória de compra começou ainda em 2026, com primeiras aquisições próximas de US$ 11.650, e inclui dezenas de compras elevadas: ao todo foram 28 aportes acima de US$ 100.000, entre eles uma operação de 220 bitcoins a US$ 123.561 cada. Atualmente, o saldo da companhia está avaliado em cerca de US$ 60,5 bilhões.
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Reflexo no preço das ações e resultado não realizado
O avanço do preço do Bitcoin teve efeito direto nas ações da Strategy, que chegaram a subir 16,2% antes de registrar um recuo e atingir seu maior preço dos últimos 90 dias. No balanço não realizado, a empresa reportou aproximadamente US$ 1,5 bilhão de lucro não realizado neste momento, reflexo da diferença entre o valor de mercado atual e o custo médio das aquisições.
Compra contínua e a visão pública de Michael Saylor
A Strategy manteve compras mesmo durante fases baixistas do mercado, estratégia que permitiu reduzir o preço médio por unidade ao longo do tempo. Essa postura, de acumular em quedas, destaca a convicção da gestão em uma recuperação estrutural do ativo. Nas redes, Michael Saylor deixou um tuíte fixado afirmando que “o Bitcoin venceu” e explicando que, na visão dele, o ciclo de quatro anos foi rompido; Saylor também sinalizou expectativa de crescimento em 2026.
Acumulação durante o bear market
A prática de comprar em momentos de baixa ilustra uma aposta de prazo: ao diluir o custo médio, a Strategy busca estar posicionada para ganhos maiores quando o mercado retomar o viés de alta. A empresa opta por deter as moedas diretamente em sua tesouraria, um contraste com fundos que compram via produtos estruturados e podem vender conforme resgates de investidores.
Entrada de institucionais: ETFs e fluxos de capital
Do lado institucional, os ETFs de Bitcoin nos Estados Unidos vêm mostrando recuperação após quatro meses de saídas: registraram entradas de US$ 1,32 bilhão em março e já acumulam compras de US$ 954 milhões nas primeiras semanas de abril. Entre os produtos, o IBIT da BlackRock apareceu como destaque, com entradas de aproximadamente US$ 1,1 bilhão em abril, enquanto outros fundos sofreram saídas.
Movimentação entre gestoras
Fundos como o FBTC da Fidelity e o GBTC da Grayscale registraram saídas de, respectivamente, cerca de US$ 186,8 milhões e US$ 150,2 milhões. Em contraste, o MSBT do Morgan Stanley, com taxas mais baixas, recebeu entradas na faixa de US$ 116,3 milhões. Esses movimentos mostram que, mesmo com demanda institucional aquecida, o capital está sendo redistribuído entre produtos.
Sinais técnicos e recomendação de cautela
Apesar do alívio causado pela queda do petróleo e a esperança de cortes de juros por bancos centrais, analistas técnicos observam que o Bitcoin ainda transita dentro de um canal de preço. Para confirmar o fim do bear market, seria necessário um rompimento sustentado acima da resistência do canal. Sem essa confirmação, os ganhos podem ser transitórios.
Em março, o trader Peter Brandt apontou que a formação atual poderia preceder uma correção, lembrando investidores para manterem gestão de risco. No ecossistema, criptomoedas menores tendem a seguir o movimento do Bitcoin, amplificando ganhos ou perdas conforme o mercado se mover.
Em síntese, a volta ao positivo da posição da Strategy combina decisão de compra agressiva, entradas institucionais em ETFs e um contexto macro favorável — mas permanece acompanhada por sinais técnicos que pedem prudência antes de declarar o fim definitivo do ciclo baixista.
