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21 maio 2026

SpaceX confirma 18.712 bitcoins e busca avaliação de US$ 1,75 trilhão

SpaceX informa ter 18.712 bitcoins em caixa em documento à SEC e apresenta pedido de IPO com valuation estimado em US$ 1,75 trilhão, trazendo efeitos para criptomoedas, mercado acionário e controle acionário de Elon Musk

SpaceX confirma 18.712 bitcoins e busca avaliação de US$ 1,75 trilhão

Um arquivo oficial entregue à SEC trouxe clareza sobre as reservas em criptomoedas da SpaceX: a companhia declara manter 18.712 bitcoins em caixa, valor equivalente a aproximadamente US$ 1,44 bilhão (cerca de R$ 7,26 bilhões segundo os cálculos divulgados). O documento também explica que a empresa utiliza custodiante(s) terceirizado(s) para a guarda dessas moedas digitais, deixando explícito que a propriedade e o controle são da própria companhia.

Antes dessa confirmação, fontes públicas como relatórios de mercado apontavam números divergentes sobre os saldos de bitcoin ligados à SpaceX. O novo registro corrige estimativas anteriores e descreve movimentos on-chain — por exemplo, a transferência de 2.495 bitcoins para novos endereços em outubro, que, segundo o prospecto, foi uma ação de manutenção de carteiras e não uma alienação de ativos.

O que o documento à SEC detalha

No prospecto de abertura de capital, a SpaceX não só informa a quantidade de bitcoin em seu balanço como explica os arranjos operacionais associados a esses ativos. A empresa afirma que detém «a propriedade e o controle» das suas criptomoedas e que continuará a usar custódia terceirizada para gerenciamento técnico e segurança, um arranjo comum entre corporações que optam por exposição a ativos digitais sem manter infraestrutura interna de custódia.

Essa transparência também desmente interpretações de que as recentes transferências representavam vendas. Em vez disso, a documentação aponta para rotinas de segurança e reorganização de carteiras, esclarecendo dúvidas do mercado sobre flutuações nos saldos reportados por serviços de rastreamento público.

O IPO: números, prazos e controle

O pedido de oferta pública inicial (IPO) protocolado coloca a SpaceX na rota de uma avaliação potencial de US$ 1,75 trilhão, um montante que a colocaria entre as maiores companhias do planeta. O prospecto traz ainda cronograma indicado para a listagem: início do roadshow em 4 de junho, precificação prevista para 11 de junho e listagem em 12 de junho. A intenção é listar na Nasdaq, sob o código SPCX.

Quanto ao controle, o documento revela que Elon Musk manterá amplo poder de voto — cerca de 85,1% do total combinado — por meio de uma estrutura de ações de duas classes, em que as ações da Classe B têm mais votos por papel que as da Classe A vendidas ao público. Além disso, o prospecto descreve medidas que limitam determinados direitos dos acionistas, como cláusulas de arbitragem e restrições sobre locais de litígio.

Participantes e apoio financeiro

Ao menos 23 instituições financeiras foram listadas como coordenadoras do IPO, com nomes como Goldman Sachs, Morgan Stanley, JPMorgan e o banco brasileiro BTG Pactual entre os participantes, sinalizando um empenho global para colocar a oferta no mercado.

Estratégia de longo prazo e desdobramentos tecnológicos

O prospecto também descreve ambições que ultrapassam lançamentos de foguetes. Entre os objetivos estratégicos estão a expansão da rede Starlink, a construção de unidades de manufatura lunar e marciana e até projetos de captura de asteroides para mineração de recursos. A empresa pretende, ainda, desenvolver infraestrutura orbital para processamento de dados de IA e comercializar essa capacidade no futuro.

Esses planos estão muito associados ao desenvolvimento da nova nave Starship, cuja operação é vista como chave para missões lunares, marcianas e para reduzir custos de acesso ao espaço. A perspectiva de milhares de lançamentos por ano ressalta a transição da SpaceX de uma fornecedora de lançamentos a uma plataforma de serviços espaciais multifacetada.

Impacto no mercado cripto e no ecossistema financeiro

A revelação de que uma empresa privada do porte da SpaceX mantém uma reserva expressiva de bitcoin pode influenciar percepções institucionais sobre adoção de criptoativos como componente de tesouraria. Entradas e saídas de players relevantes tendem a gerar repercussões em preço, liquidez e em discussões sobre governança de risco para empresas que optam por alocar capital em moedas digitais.

Riscos e considerações finais

Apesar do entusiasmo em torno do IPO e das ambições tecnológicas, os números recentes mostram que a SpaceX ainda reporta perdas operacionais em alguns períodos, enquanto amplia investimentos em Starlink e outros projetos. Investidores terão de pesar a visão de longo prazo, os riscos tecnológicos e as estruturas de governança que mantêm o controle concentrado nas mãos de seus fundadores.

Autor

Ilaria Mauri

Ilaria Mauri, bolognesa, decidiu enveredar pelo jornalismo desportivo depois de uma noite no Dall'Ara durante um jogo decisivo: hoje coordena as páginas de competições e comentários. Na redação privilegia reportagens em campo e guarda o bilhete desse jogo como prova da viragem.