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Por que investidores aceitam mais risco em vez de adotar uma postura defensiva

Em entrevista ao Brazil Journal, Francisco Rosemberg, responsável por wealth e family office para a América Latina na BlackRock, explicou por que muitos participantes do mercado mantêm posições mais arriscadas mesmo com as incertezas globais. Segundo Rosemberg, a alternativa de adotar uma postura extremamente defensiva tem um custo de oportunidade relevante: deixar o capital ocioso ou em aplicações de baixo rendimento pode corroer ganhos reais ao longo do tempo.

Essa avaliação combina preocupações com rentabilidade e o impacto de taxas e inflação, levando investidores a reavaliar o trade-off entre proteção e performance.

O executivo ressaltou também que a instabilidade frequentemente cria janelas para realocação estratégica. Em vez de buscar proteção absoluta, gestores e family offices analisam mercados e setores que oferecem prêmio de risco compatível com seus objetivos. Para Rosemberg, a decisão é menos sobre ousadia e mais sobre gestão dinâmica do capital: identificar onde o risco está precificado de forma atrativa e como ajustar exposição sem comprometer horizontes de longo prazo. A observação foi publicada em 06/05/2026 19:49 no Brazil Journal, citando o posicionamento do executivo.

Por que a defesa excessiva pode custar caro

Manter uma postura excessivamente conservadora acarreta custos que vão além de uma menor rentabilidade imediata. O custo de oportunidade aparece quando a alocação concentra-se em ativos com retorno real negativo ou marginalmente positivo, especialmente em cenários de inflação ou juros reais baixos. Além disso, a proteção absoluta costuma envolver despesas com produtos financeiros ou blindagens que reduzem o ganho líquido. Nesse contexto, investidores institucionais e investidores privados avaliam que assumir exposições calibradas é uma forma de preservar poder de compra e capturar oportunidades de valorização, mesmo diante de ruídos geopolíticos.

Como a volatilidade gera oportunidades

A volatilidade, quando compreendida, pode abrir portas para alocação de ativos mais eficiente. Eventos geopolíticos e choques de mercado aumentam a dispersão de preços, permitindo que gestores identifiquem ativos subavaliados ou setores com perspectivas de recuperação. A estratégia envolve rebalanceamento, compra seletiva e diversificação entre classes e regiões, tudo apoiado por modelos de risco e análises fundamentais. Aqui, o conceito de apetite por risco é determinante: quem tem horizonte e liquidez tende a converter volatilidade em oportunidade, sem confundir risco temporário com deterioração estrutural do ativo.

Estratégias adotadas por family offices e gestores

Family offices e gestores de patrimônio, como os representados por Rosemberg, costumam combinar proteção com busca ativa por retorno. Entre as táticas mais comuns estão a diversificação geográfica, exposição a mercados emergentes selecionados, uso de ativos alternativos e gestão ativa de duração em carteiras de renda fixa. Essas decisões são tomadas com base em cenários macro e micro, priorizando liquidez e controle de risco. O uso de instrumentos derivados para hedge também aparece, mas como ferramenta pontual dentro de uma abordagem maior de preservação de capital e crescimento.

Implicações para investidores individuais

Para investidores pessoa física, a mensagem central é avaliar objetivos e prazos antes de optar por extrema defesa. Um portfólio excessivamente conservador pode não cumprir metas de longo prazo, especialmente frente a inflação e custos. Recomenda-se trabalhar com alocações diversificadas, ajustar exposição conforme tolerância ao risco e considerar consultoria profissional. Ferramentas de planejamento e stress test ajudam a entender cenários adversos e a escolher entre reduzir risco ou aceitar alguma volatilidade para potencialmente melhorar retornos ajustados ao risco. O conceito de gestão de risco deve nortear essas decisões.

Observações finais

O diagnóstico de Francisco Rosemberg sintetiza um dilema atual: evitar perdas imediatas pode custar oportunidades futuras. A posição, divulgada em 06/05/2026 19:49 no Brazil Journal, enfatiza que a resposta não é assumir risco indiscriminadamente, mas sim adotar uma postura ativa e técnica de alocação. Investidores e gestores que conciliam disciplina, diversificação e análise de valor tendem a transformar períodos de incerteza em janelas para melhorar a composição de suas carteiras, equilibrando proteção e potencial de retorno com fundamentos sólidos.

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