A China está na vanguarda da transição energética com a inauguração do primeiro parque industrial net-zero no mundo. Localizado na Mongólia Interior, este complexo representa um marco na descarbonização industrial integrando fábricas de baterias e turbinas eólicas com sistemas de energia renovável e gestão de carbono.
O projeto, desenvolvido pela Envision, foi reconhecido pelo Fórum Econômico Mundial como pioneiro e serve como modelo para a expansão global, incluindo o Brasil. Com um investimento previsto de US$ 1 bilhão, a iniciativa promete trazer inovações em combustível sustentável de aviaçãohidrogênio verde e amônia para o mercado brasileiro.
O conceito de emissões líquidas zero
O termo net-zero não significa a ausência total de emissões, mas sim um equilíbrio entre as emissões geradas e as compensadas por meio de fontes renováveis e sistemas de gestão de carbono. Gang He, professor de política energética e climática da Faculdade Baruch, destaca a importância dessa abordagem para a descarbonização industrial.
No entanto, o sistema de contabilização anual permite que as emissões de combustíveis fósseis sejam compensadas em períodos de maior disponibilidade de energia renovável. Para um verdadeiro zero carbono a contabilização deveria ser feita hora a hora, conforme aponta He. A certificação chinesa, por sua vez, exige que as emissões sejam cerca de 90% inferiores à média nacional, mas permite flexibilidade em outros indicadores.
Planos de expansão e desafios no Brasil
A Envision planeja replicar o modelo chinês no Brasil, com foco na produção de combustíveis sustentáveis. O investimento de US$ 1 bilhão foi anunciado durante a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à China em maio de 2026. No entanto, a localização e o cronograma do projeto ainda não foram definidos.
Gang He ressalta que o Brasil possui vantagens, como um sistema elétrico relativamente limpo e experiência em biocombustíveis. No entanto, a implementação do modelo chinês enfrenta desafios devido às diferenças políticas, regulatórias e geográficas. A Envision está avaliando fatores como recursos renováveis, logística, ecossistema industrial e estabilidade política antes de tomar decisões finais.
O futuro dos parques industriais de baixo carbono
A China tem como meta atingir o pico de emissões até 2030 e a neutralidade de carbono até 2060. Os parques industriais de baixo carbono são uma peça fundamental dessa estratégia, conforme destacado por Huang Wenchuan, vice-diretor da Comissão de Desenvolvimento e Reforma da Mongólia Interior.
Além do Brasil, a Envision também planeja expandir para a Espanha, demonstrando o potencial global desse modelo inovador. A empresa afirma que preferirá comunicar apenas após o alcance de marcos importantes, garantindo a precisão e a transparência das informações.



