Na manhã de 27/02/, a Polícia Federal executou a segunda etapa da Operação Share em Guarabira, no interior da Paraíba. A ação objetiva desmantelar uma rede acusada de armazenamento, compartilhamento e venda de vídeos com conteúdo de abuso sexual infantojuvenil. Foram cumpridos três mandados judiciais: dois de prisão preventiva e um de busca e apreensão.
As diligências partiram de provas coletadas na fase anterior da operação e envolveram análise pericial de mídias apreendidas.
Os investigadores apontam que o grupo negociava material ilícito com compradores nacionais e internacionais, exigindo pagamentos em dólares e em criptomoedas, especialmente bitcoin.
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Como funcionava a suposta rede
Segundo o inquérito, os suspeitos mantinham uma estrutura para comercializar arquivos com imagens e vídeos de menores. A operação apontou para a existência de uma cadeia organizada que armazenava e distribuía o conteúdo por plataformas e contatos privados. A investigação indica que havia oferta e negociação sistemática, com compradores localizados em diferentes regiões do país e no exterior.
Uso de criptomoedas e tentativa de ocultação
Os agentes identificaram que a exigência de pagamentos em dólar e em bitcoin fazia parte de uma estratégia para dificultar a identificação dos envolvidos. Embora a intenção do uso de moedas digitais fosse criar camadas de anonimato, a própria arquitetura de registros em blocos permite traçar movimentações financeiras quando analisada por peritos forenses. Com base nisso, a Justiça autorizou a quebra do sigilo telemático dos aparelhos apreendidos.
Quebra de sigilo e perícias
Com autorização judicial, a Polícia Federal passou a extrair dados de telefones, computadores e demais suportes de mídia recolhidos nas buscas. A medida visa mapear transações, comunicações e conexões entre compradores e vendedores. A expectativa é que o trabalho de inteligência digital nos próximos dias apresente elementos que indiquem o alcance da rede e possíveis ramificações internacionais.
Provas digitais e sequência investigativa
A análise pericial inclui recuperação de arquivos, identificação de contas de pagamentos e verificação de históricos de comunicação. Essas provas digitais serão integradas ao inquérito para embasar pedidos de novas medidas judiciais, como interceptações, bloqueio de contas e pedidos de cooperação internacional, caso haja indícios de operações fora do território nacional.
Enfoque terminológico e apelo da corporação
Além das medidas repressivas, a Polícia Federal promoveu uma mudança deliberada no vocabulário usado para nomear esses crimes. Embora a legislação brasileira ainda utilize o termo “pornografia” no Estatuto da Criança e do Adolescente, a corporação tem optado por termos como abuso sexual ou violência sexual de crianças e adolescentes, buscando dar ênfase à gravidade e ao caráter lesivo das condutas.
Impacto da escolha das palavras
Segundo especialistas da PF, empregar termos que ressaltem a violência contribui para uma percepção pública mais alinhada com a experiência das vítimas e diminui o risco de naturalização do crime. A mudança de nomenclatura é também uma ferramenta para orientar investigações e políticas de enfrentamento.
Orientações para pais e responsáveis
A nota oficial da Polícia Federal traz recomendações claras aos responsáveis: é essencial monitorar e orientar as crianças e adolescentes no uso de redes sociais, jogos e aplicativos. O órgão ressalta que a educação digital e o diálogo aberto são as defesas mais eficazes contra aliciadores e perfis falsos.
Os agentes alertam para sinais comportamentais que merecem atenção, como isolamento repentino, segredo exagerado sobre o uso de aparelhos eletrônicos ou bloqueio de telas na presença de adultos. Ensinar os filhos a identificar contatos inadequados e a pedir ajuda imediatamente é parte da prevenção.
Próximos passos da investigação
A Polícia Federal informou que as apurações continuam e que as informações extraídas das mídias apreendidas orientarão novas medidas. Eventuais desdobramentos poderão incluir novas prisões, cooperação internacional e ações coordenadas com outras unidades de segurança para identificar e desarticular toda a cadeia criminosa.
Para reportar informações ou fazer denúncias, a Comunicação Social da Polícia Federal na Paraíba disponibiliza canais oficiais, reforçando o compromisso com a proteção de crianças e adolescentes e com a elucidação dos crimes investigados.
