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Operação Sepulcros Caiados mira organização que lavava R$ 318 milhões em criptomoedas e contas digitais

A Polícia Civil de Santa Catarina executou uma operação para desarticular uma organização que vinha ocultando recursos originados de golpes online. A investigação apontou para um mecanismo sofisticado de dispersão de valores entre contas pessoais, plataformas de criptoativos e empresas de fachada, com o objetivo de impedir o rastreamento e o bloqueio por parte das autoridades.

As diligências envolveram buscas em diferentes estados e medidas judiciais para bloquear montantes financeiros.

A ação reafirma a crescente atuação integrada entre órgãos policiais e unidades especializadas para combater crimes financeiros que tiram proveito das inovações tecnológicas no mercado de pagamentos e de criptoativos.

Como funcionava a estrutura criminosa

A investigação mapeou um esquema em camadas que combinava perfis de terceiros — chamados comumente de laranjas — com contas em bancos digitais e perfis em exchanges de criptomoedas. Esses intermediários abriam contas usando documentos e verificações fraudadas, permitindo à quadrilha pulverizar grandes somas rapidamente.

Ao fragmentar os valores entre diversas carteiras virtuais e contas terceirizadas, os criminosos buscavam criar um emaranhado de transações que tornasse oneroso e demorado o trabalho de rastreamento por parte da equipe de investigação. Além disso, parte da operação utilizava empresas com atividades aparentes de comércio e prestação de serviços para justificar entradas e saídas financeiras.

Uso de plataformas e blindagem digital

O grupo empregava exchanges e bancos digitais como pontos de entrada para fundos obtidos em golpes na internet. A escolha por esses serviços não foi casual: eles oferecem rapidez nas transferências e, em muitos casos, processos de verificação susceptíveis a fraudes. A dispersão em várias plataformas foi a principal técnica para tentar evitar o congelamento de saldos por medidas judiciais.

A investigação e as medidas adotadas

As apurações envolveram o cruzamento de dados bancários, análise de dispositivos eletrônicos e relatórios de inteligência financeira. Equipes especializadas extraíram informações de computadores e celulares, permitindo identificar operadores e o fluxo de recursos. Com isso, foi possível justificar perante a autoridade judicial o bloqueio de valores considerados parte do esquema.

Além das buscas e apreensões, a ação teve apoio logístico e troca constante de informações entre polícias civis estaduais e órgãos federais. A coordenação permitiu cumprir mandados em múltiplas unidades da federação de forma sincronizada, reduzindo riscos de fuga de provas e garantindo a apreensão de equipamentos e documentos essenciais para a investigação.

Dados reveladores da movimentação

Os investigadores descobriram que um dos principais operadores havia movimentado volumes elevados de recursos, com registros que totalizaram mais de R$ 318 milhões em suas contas. A análise também apontou inconsistências de renda e recebimentos que chamaram atenção por contrariar benefícios sociais e padrões típicos de movimentação lícita.

Integração institucional e próximos passos

A operação contou com o suporte de órgãos especializados em prevenção à lavagem de dinheiro e em tecnologia, que auxiliaram na extração de provas digitais e na interpretação de fluxos financeiros complexos. O emprego de perícia técnica em tecnologia forense permitiu identificar dispositivos ligados ao esquema e reconstruir trajetos de transferências.

Em paralelo às medidas judiciais de bloqueio de ativos, o trabalho investigativo prossegue para aprofundar a identificação dos demais envolvidos, recuperar eventuais valores desviados e instruir procedimentos criminais. A atuação conjunta entre delegacias de diversos estados e unidades técnicas mostra a importância de respostas coordenadas frente a crimes que exploram serviços financeiros modernos.

Impacto e lições para prevenção

Casos como esse evidenciam a necessidade de aperfeiçoamento contínuo nos controles de compliance de plataformas financeiras e de criptoativos, além da capacitação das forças de segurança para lidar com transações digitais. O fortalecimento de mecanismos de verificação e o intercâmbio de sinais de risco entre instituições são medidas apontadas como essenciais para reduzir a vulnerabilidade a fraudes.

Por fim, a operação reforça que a combinação de investigação convencional com recursos tecnológicos e cooperação interestadual é uma estratégia eficaz para descapitalizar organizações criminosas que utilizam o ambiente digital para ocultar recursos ilícitos.

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