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14 maio 2026

cpi na alesp mira golpes com promessas de ganhos fixos em criptomoedas

Assembleia Legislativa de São Paulo instituiu uma CPI para investigar esquemas que vendem falsos investimentos em criptomoedas; o grupo tem 120 dias para agir e reúne deputados titulares e suplentes.

A Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) estabeleceu uma nova Comissão Parlamentar de Inquérito destinada a investigar golpes que utilizam ofertas de ativos digitais com promessas de ganhos fixos. Pelo ato do presidente nº 189/2026, assinado em 17 de dezembro de 2026, a CPI foi formalizada e, com o retorno dos trabalhos legislativos, começou a vigorar em 4 de fevereiro de 2026. O objetivo declarado é mapear operações de marketing multinível e outros modelos que possam ocultar esquemas de tipo pirâmide financeira, afetando especialmente investidores com pouca experiência.

Instalação, prazo e primeiros passos

Conforme o documento de constituição, a CPI terá um prazo inicial de 120 dias para conduzir apurações e, se necessário, poderá ter esse período prorrogado por igual intervalo. Logo após a publicação do ato, foi marcada uma primeira reunião parlamentar, porém, na última quarta-feira (11) os deputados convocados não compareceram por falta de quórum, e o encontro foi cancelado. Apesar do contratempo, a estrutura formal da comissão já está definida e a expectativa é que os trabalhos comecem a colher depoimentos, documentos e relatórios que descrevam a extensão dos golpes em solo paulista.

Composição da comissão

A relação de membros efetivos é composta por nove deputados estaduais que atuarão diretamente na investigação. Entre eles estão nomes de diferentes bancadas e partidos, o que demonstra um caráter multipartidário para o trabalho. A lista de suplentes também foi divulgada, restando ainda uma vaga a ser preenchida. A presença de representantes de diferentes legendas pretende equilibrar posições e permitir um olhar abrangente sobre as denúncias, buscando identificar responsáveis, padrões de atuação e eventuais vulnerabilidades do ecossistema local de criptoativos.

Titulares e suplentes

Os deputados titulares já designados incluem parlamentares de variadas correntes políticas, enquanto os suplentes fornecem suporte e eventual substituição durante audiências ou decisões. A composição prevê a participação de membros capazes de solicitar diligências, requisitar documentos e convocar testemunhas. Em práticas de CPI, essa combinação de titulares e suplentes é essencial para manter continuidade investigativa mesmo diante de ausências temporárias, garantindo que o procedimento avance dentro dos prazos regimentais.

Escopo e relação com outras investigações

Esta CPI estadual é a segunda com foco em pirâmides de criptomoedas no Brasil, sucedendo uma investigação realizada na Câmara dos Deputados em 2026, presidida por deputado federal que então apurou fraudes em escala nacional. A diferença desta instância é o recorte territorial: os trabalhos da Alesp irão concentrar-se exclusivamente em fraudes ocorridas no estado de São Paulo. O objetivo é aprofundar casos locais, identificar redes operacionais, analisar ofertas de falsos investimentos e propor medidas administrativas e legais que reforcem a proteção de investidores.

Implicações práticas

Para além de apontar responsáveis, a CPI pode gerar recomendações ao Executivo estadual, ao Ministério Público e a órgãos reguladores, além de contribuir para futuras ações judiciais. A apuração tende a explorar documentos financeiros, campanhas de divulgação e estruturas de remuneração que caracterizam uma pirâmide. Espera-se também que os resultados estimulem campanhas educativas sobre riscos de promessas de retornos garantidos em criptoativos, ressaltando a importância da due diligence por parte de investidores.

O desenrolar da CPI será acompanhado por especialistas em finanças e criptoativos, além da imprensa e de entidades de defesa do consumidor. A comissão tem poder de convocação e requisição, instrumentos que serão acionados para reunir provas e depoimentos. Com a formalização em 17 de dezembro de 2026 e início de vigência em 4 de fevereiro de 2026, a expectativa é que, mesmo com atrasos iniciais, a apuração avance nos próximos meses, fornecendo diagnósticos fundamentais para mitigar golpes e proteger participantes do mercado.

Autor

Staff